Por Tatiana Santos
No cenário do terceiro setor em Itabira, uma associação vem se destacando pela capacidade de transformar vontade política e comunitária em projetos de forte impacto social. As empreendedoras Marília Braga e Edmara Silva participaram do programa Pontal Comunidade, na Rádio Pontal, na última semana, e dentre outros temas, contaram sobre a criação do Polo Econômico da Mulher de Itabira (PEM), iniciativa de geração de empoderamento e transformação. Como contaram, o PEM nasceu oficialmente em 2021 com o propósito inicial de apoiar o público feminino e fomentar o empreendedorismo local. No entanto, ao longo de sua trajetória, a instituição expandiu suas fronteiras, e por meio de parcerias e editais públicos, passou a abraçar demandas urgentes de toda comunidade itabirana, desde a infância até a terceira idade.
A história da associação está ligada à trajetória de suas idealizadoras, que já tinham anos de experiência em negócios próprios e voluntariado. Ao relembrar as origens da instituição, Marília explicou que o PEM nasceu a partir da união de propósitos dela e de Edmara. Elas já se conheciam há muitos anos, com Edmara sempre empreendendo em seu salão, na produção de cosméticos e ligada ao social, enquanto Marília gerenciava sua fábrica de lingeries e participava de projetos voluntários na igreja e no Rotary Clube. A bagagem compartilhada fez com que em 2020 as duas decidissem formalizar e organizar essas ações de maneira mais grandiosa, reformulando o estatuto de um antigo centro social para dar vida ao PEM.
A escolha do público-alvo inicial foi uma resposta natural à vivência das fundadoras com suas próprias funcionárias e clientes. Segundo Marília, a decisão de focar as ações no feminino foi tomada porque elas já lidavam com esse nicho em suas empresas: “A gente definiu naquela época que a gente ia trabalhar com mulheres, porque nós já trabalhávamos com mulheres no nosso negócio. Então, a gente queria atingir o público feminino. A gente sabe dos desafios que é a vida da mulher no dia a dia, no trabalho, e aí nasceu o PEM”.
Ao comentar sobre a expansão das atividades do Polo para novos públicos, como crianças e idosos através de editais conquistados para o ano de 2026, Edmara pontuou que na experiência vivida junto à comunidade do bairro Pedreira, elas perceberam que o fortalecimento da mulher trazia um efeito cascata em todo o núcleo familiar. “Essas mulheres têm filhas, têm pessoas idosas em casa. Então, quando a gente viu que não é só sobre, quando você pega para ajudar e pensar em desenvolver o município na parte social, não é só sobre nichar. É ver o que tem de necessidade e se abrir para aquilo”, esclareceu.
Abertura para o fomento
O amadurecimento institucional do PEM permitiu que a associação deixasse de depender apenas de doações informais e passasse a disputar editais públicos de fomento. Entre as iniciativas da entidade figuram projetos premiados de empreendedorismo e barbearia para detentos na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), a gestão de uma fábrica de fraldas comunitária. Mais recentemente, houve a aprovação de cinco novos projetos voltados para a educação de crianças e o bem-estar de idosos em Itabira.