Por Tatiana Santos
Por volta dos dois anos de idade, muitos pais enfrentam uma situação em que o bebê que antes comia de tudo, de repente, passa a rejeitar quase tudo e a fazer birras à mesa. Esse comportamento na maioria das vezes não é pirraça, mas neofobia alimentar. É uma fase natural do desenvolvimento em que o cérebro da criança passa a desconfiar de alimentos novos ou até mesmo daqueles que já estava acostumada. O erro mais comum dos pais ou responsáveis nessa fase é ceder à frustração e retirar os alimentos rejeitados do cardápio, tornando a dieta do filho cada vez mais restrita.
A nutricionista infantil Camila Caetano aponta que o segredo para superar essa fase está na persistência sem agressividade, garantindo que o alimento continue sendo visto no prato para gerar familiaridade: “O melhor caminho é continuar oferecendo esses alimentos, é continuar expondo essa criança a esses alimentos que ela parou de aceitar sem pressão, sem briga. […] A exposição gera confiança. Então, para a criança comer, é muito importante que ela tenha segurança naquele ambiente que está”, orienta.
O desafio da neofobia aumenta quando é somado à exaustão da rotina dos pais, que, sem tempo ou energia após o trabalho, acabam recorrendo a opções rápidas e pouco nutritivas. No entanto, a preparação e o planejamento do cardápio da semana surgem como os principais aliados para manter a saúde dos filhos em dia. A nutricionista orienta que o tempo de preparo de uma refeição saudável congelada de forma correta pode ser tão rápido quanto o de um produto ultra processado: “Se a gente quer que nossos filhos comam bem, a gente precisa se organizar. Chegou do trabalho cansada? Não vai ser o miojo com três minutos, não. Você vai pegar aquela refeição que você no final de semana deixou ali e vai fazer ela, que vai ter também os mesmos três minutos de preparo”, sugere a profissional.
Dicas valiosas
Para os pais que enfrentam desafios na hora das refeições, pequenas mudanças na rotina podem transformar a relação dos filhos com a comida. Segundo a nutricionista, uma das principais estratégias é apostar no lúdico, mudando os formatos e os preparos dos ingredientes para tornar o prato mais atrativo para os pequenos. Além disso, incluir a criança na cozinha durante o preparo das receitas é uma ótima maneira de estimular a curiosidade, e como consequência o apetite pelos novos sabores.
Outra dica da especialista é manter o que ela chama de alimento de segurança no prato, ou seja, aquela comida que a criança já conhece e aceita sem hesitação. Essa presença familiar traz calma e reduz muito a ansiedade das crianças na hora da refeição, dando segurança para que se sintam confortáveis a testar novos alimentos no seu próprio tempo.