Por Tatiana Santos
Com a chegada do inverno e a queda constante das temperaturas, os hospitais e o Pronto-Socorro Municipal de Itabira registram um aumento muito grande e preocupante no atendimento de crianças com problemas respiratórios. Doenças que parecem simples no início, como gripes e resfriados, além de crises de asma e bronquiolite se espalham de forma muito mais rápida nessa época do ano. Com isso, a atenção deve ser redobrada por parte dos pais e responsáveis.
O pediatra Kaiser de Matos, especialista em gestão médica e coordenador da pediatria dos hospitais Nossa Senhora das Dores (HNSD) e Jacques Gonçalves Pereira, explica que essas infecções começam de maneira muito parecida. Segundo o médico, que é titulado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, os primeiros sintomas atingem a parte superior das vias aéreas, causando tosse leve e nariz escorrendo.
Porém, o grande perigo é que esse quadro inicial pode evoluir para uma condição perigosa chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). É uma complicação respiratória severa que afeta os pulmões e causa inflamação nos alvéolos, dificultando a troca gasosa. A condição traz falta de ar e baixa oxigenação, conforme o profissional. Segundo o pediatra, “as doenças respiratórias nessa época do ano são bem mais frequentes e podem acometer vários locais da parte respiratória”. O grande desafio diário para as famílias é saber exatamente quando a criança deixou de ter apenas um resfriado comum e passou a precisar de um socorro médico imediato.
Monitoramento constante
Dr. Kaiser esclarece que os pais devem monitorar de perto o comportamento dos filhos em casa. Se a febre começar a ficar muito alta por vários dias seguidos, se a criança perder o apetite ou recusar a ingestão de água e sucos, o sinal de alerta já deve ser aceso. O perigo se torna ainda maior em bebês com menos de seis meses de vida, que têm o sistema de defesa do corpo ainda muito frágil. Muitas vezes, na correria do dia a dia ou pelo cansaço, os responsáveis podem achar que é apenas uma manha da criança, mas o isolamento e o desânimo extremo são sinais claros de que o corpo está lutando contra uma infecção mais forte.
O pediatra reforça que a agilidade na busca por ajuda médica evita complicações graves. Ele detalha quais são os alertas vermelhos que exigem uma corrida imediata até o pronto-socorro: “A febre começa a ficar muito alta. Passa um, dois, três dias com febre, a criança começa a ter dificuldade de se alimentar. É dificuldade de tomar líquidos, começa a ficar muito prostrada, ou então, o principal sinal que é a dificuldade respiratória, a falta de ar. A criança que respira fazendo muita força, respira muito rápido”, exemplifica. Segundo o especialista infantil, o principal sinal nesses casos é procurar o atendimento médico com urgência.
Além disso, para proteger os pequenos em casa, o especialista lembra que medidas simples ajudam muito, como manter os ambientes sempre bem arejados, evitar o uso excessivo de perfumes, fugir da fumaça de cigarro ou fogão a lenha e não frequentar locais fechados com grandes aglomerações de pessoas. A prevenção dentro da própria casa, aliada à observação atenta de como a criança se comporta e respira, é a melhor maneira de evitar internações e garantir que os filhos passem pela estação fria com saúde.