Por Tatiana Santos
A garantia dos direitos legais e a busca por inclusão para pessoas neurodivergentes têm um novo aliado na literatura nacional. A advogada, professora, palestrante e escritora Amanda Teixeira, fortalece sua atuação na área ao participar como coautora do volume 2 do livro ‘Deficiência e inclusão’. A obra é organizada pela também advogada Priscila Machado, criadora do canal ‘Leis para PcD’.
Amanda que é referência nacional em inclusão, explicou, durante o programa Conexão Regional, na Rádio Pontal, que este volume reúne artigos de diversos especialistas focados em direitos humanos e acessibilidade. O assunto traz à tona discussões importantes sobre o diagnóstico tardio e a permanência de profissionais atípicos em ambientes corporativos. Esta participação marca a terceira contribuição da advogada em obras do gênero.
Em seu capítulo, dra Amanda aborda o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) na vida adulta, desfazendo a visão deturpad de que a condição se restringe à infância. A autora utiliza tanto sua vivência do direito quanto sua experiência pessoal como mulher neurodivergente para ilustrar como a desinformação corporativa afeta a produtividade e a saúde mental dos trabalhadores. “O TDAH é frequentemente associado à infância e milhares de adultos convivem diariamente com dificuldades relacionadas à atenção, à organização e à impulsividade”, esclareceu. Ela salientou que essas características impactam diretamente a vida profissional, nos relacionamentos e na estabilidade emocional, exigindo que o mercado se adapte às legislações.
Barreiras invisíveis e julgamentos
O livro aborda sobre as barreiras invisíveis do preconceito e do capacitismo disfarçados como cobranças por rendimento. De acordo com a especialista, o desconhecimento sobre a necessidade de autorregulação desses profissionais gera julgamentos graves e injustos, configurando, em muitos casos, em situações de assédio moral. “Existem estudos mostrando que as pessoas no mercado de trabalho às vezes precisam se levantar a cada 25 minutos para se regular. E quando o empregador ou as pessoas ao lado desconhecem o transtorno, começam a julgar e surgem falas capacitistas e discriminatórias de que a pessoa é relaxada ou está enrolando o tempo”, relatou.
A advogada ressaltou que o diagnóstico correto na vida adulta funciona como uma virada de chave para que o trabalhador interrompa ciclos de auto culpa e busque a ajuda multi profissional adequado. Apesar de o ordenamento jurídico brasileiro ser considerado um dos mais avançados do mundo, contando com a Lei Brasileira de Inclusão e a Lei dos Transtornos de Aprendizagem, o texto reforça que o principal desafio é a aplicação prática dessas normas nas empresas e escolas.
Para dra Amanda, a literatura jurídica e científica tem um papel educativo essencial que antecede a própria fiscalização legal. “A inclusão começa quando o preconceito termina e o preconceito só termina quando o conhecimento chega”, defendeu a autora. Os exemplares da obra podem ser adquiridos com a escritora através do Instagram: @amandateixeira.oficial.