Por Tatiana Santos
O auditório da Funcesi será o palco do evento ‘Vivendo a superdotação: conectando famílias, educação, saúde e talentos’, uma iniciativa realizada pelo Instituto Unicamente e pelo Instituto Social Actus, com o apoio da instituição de ensino. O encontro será realizado no dia 15 de agosto, das 8h às 17h, e tem a finalidade de desmitificar os conceitos em torno das altas habilidades, aproximando diferentes setores da sociedade, promovendo o desenvolvimento saudável de crianças e adultos neurodivergentes.
O foco da conferência é abranger os seguintes públicos: pais e familiares, professores, coordenadores pedagógicos, diretores escolares, psicólogos, neuropsicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, estudantes das áreas da Educação e Saúde, além de profissionais interessados em neurodiversidade e desenvolvimento humano. As inscrições estão disponíveis na plataforma Sympla. “Nosso evento vai ser aberto a toda a sociedade. Será um prazer receber os pais que precisam ampliar o seu conhecimento, professores, psicólogos […], ou qualquer pessoa interessada em educação, desenvolvimento e aprendizado”, explicou a advogada especialista em direitos da pessoa com deficiência e neurodiversidade, Amanda Teixeira, que integra a comissão organizadora.
Segundo a profissional, o maior equívoco da sociedade é resumir a superdotação ao desempenho acadêmico impecável. “A superdotação vai muito além da inteligência elevada. São pessoas que costumam apresentar uma forma diferente de pensar, de aprender e de sentir”, esclareceu a especialista, durante entrevista na Rádio Pontal.
O encontro tem uma programação vasta, com base em evidências científicas e abordagens práticas, contando com a presença de palestrantes de renome nacional, como os psicólogos Damião Silva e Dener Pereira, além de Thais Barbosa e Brian Brinque. Serão debatidos temas que vão desde a dupla excepcionalidade e aceleração escolar até o enriquecimento curricular e o suporte multidisciplinar.
O mito do supergênio e a saúde mental
Durante o bate-papo, dra Amanda alertou que por trás do mito do ‘supergênio’ que sabe tudo, existem vulnerabilidades que costumam ser negligenciadas pela falta de informação. “Muitos podem aprender rapidamente, fazem perguntas profundas, têm curiosidades intensas, mas também podem apresentar ansiedade, perfeccionismo, hipersensibilidade, dificuldades sociais e até o sofrimento emocional”, detalhou.
A ausência de discussões sobre o tema tem gerado impactos importantes na saúde mental e no futuro de milhares de pessoas que permanecem invisíveis aos olhos das instituições. Segundo Amanda, a falta de identificação precoce faz com que comportamentos típicos da superdotação sejam rotulados de maneira errada como rebeldia, preguiça ou desatenção. O resultado são diagnósticos equivocados e abandono do interesse escolar. Com isso, pode haver manifestações de quadros graves de depressão e baixa autoestima.
A especialista finalizou, dizendo que o acolhimento social e afetivo deve anteceder as demandas pedagógicas. “Nem toda criança que sofre na escola tem dificuldade de aprendizagem. Algumas sofrem justamente porque aprendem de uma forma diferente. Uma criança superdotada não precisa apenas de oportunidade para aprender mais, ela precisa, antes de tudo, ser compreendida”, conclui a advogada.