Por Tatiana Santos
Olhar para um grupo de motociclistas vestindo coletes de couro, brasões bonitos e símbolos que impressionam pelo visual forte costuma despertar reações diferentes. Para quem vê de fora, a imagem pode parecer intimidadora, cheia de estigmas construídos ao longo de décadas pelo cinema ou pelas pessoas no geral. Mas ao observar o que realmente move essa comunidade, nota-se que a estética da estrada não existe para afastar, mas sim para unir.
As marcas e elementos estampados nas roupas dos integrantes de um moto clube têm significados muito distantes da agressividade que o preconceito muitas vezes pode associar. Um dos ícones mais presentes nesse universo, a caveira, é na verdade, um lembrete visual sobre a essência de todo ser humano. Conforme explica a vice-presidente do moto clube Ronin Off the Road, Dani Pinho, o elemento serve como uma lembrança de que todos somos iguais: “A caveira simboliza a igualdade. Todos, por dentro somos caveira. Você vê um esqueleto, uma caveira, e não sabe se é mulher, se é homem, se é branco ou negro. Todos nós somos iguais e todos merecem respeito”.

Essa desmistificação da imagem pública anda lado a lado com a quebra de outros conceitos prévios do dia a dia, Um desses preconceitos é sobre ideia de que o motociclismo é um ambiente pautado na ostentação, no status financeiro pelo fato de haver motos caras e de altíssimas cilindradas. Outra questão que esse ambiente tem buscado quebrar é sobre o tempo de experiência sobre duas rodas. Dani ressalta que o sentimento de pertencimento independe da máquina que a pessoa pilota: “Não é a moto que aproxima a gente, é a paixão pelas duas rodas, pelo vento na cara e rodando. Às vezes, quem tem uma moto de baixa cilindrada é muito mais motociclista do que outros que têm uma moto alta”.
Superar o estranhamento que o estilo de vida motociclista causa nas pessoas que vêm de fora, passa por entender que as roupas, as regras internas e os símbolos funcionam como um código de fraternidade e de acolhimento. Quando o grupo se reúne, as diferenças profissionais e sociais desaparecem em prol do apoio mútuo. A vice-presidente pontua, ao abordar o espírito de união do grupo em momentos difíceis: “Pode ser ele hoje, pode ser eu amanhã. O problema de um é o problema de todos, a gente preza muito essa questão de irmandade”. O moto clube itabirano foi fundado por Marcos Freitas e mais três amigos há oito anos atrás.