Por Tatiana Santos
A transição do trabalho técnico em estúdios de rádio para os palcos marcou a virada na trajetória do artista itabirano Lúcio Barbosa, criador da Capa Égua Produções. Após atuar como operador e produtor em uma emissora na cidade natal, ele se mudou para Belo Horizonte, concluiu a formação no Palácio das Artes e obteve o registro profissional para atuar como ator e diretor. Ao longo da carreira, acumulou passagens por produções de televisão na capital mineira e em programas nacionais em São Paulo, como o Programa do Ratinho e Pânico.
A decisão de viver exclusivamente do teatro exigiu a criação de um modelo de negócio próprio e independente, enfrentando inclusive o período de paralisação durante a pandemia de covid-19. “A gente precisa entender o seguinte: o teatro é uma profissão como qualquer outra. Precisa dedicar, precisa ter muito empenho, precisa levar a sério”, ressalta, ao refletir sobre a transição de carreira e a exigência do setor cultural. Para garantir a saúde financeira da produtora, o trabalho realizado por Lúcio envolve a escrita dos textos, a direção cênica e a venda de produtos licenciados nos eventos, como livros e artigos temáticos.
O artista destaca que a dedicação diária é o fator determinante para manter a companhia ativa sem depender do mercado de trabalho formal. “O teatro te dá retorno sim, desde que você leve a sério, leve como profissão. Se eu sair para mexer com uma coisa minha, está muito mais fácil porque eu também vou ter o meu empenho. Foi o que me impulsionou a sair do CLT”, conta o artista ao relembrar o início do projeto próprio.
Sala de aula pavimentou caminho para o teatro
Antes de assumir o teatro como atividade principal, a trajetória profissional do itabirano também passou pelas salas de aula, onde trabalhou como professor das disciplinas de Geografia e Artes. Essa experiência no ensino e no contato constante com o público jovem contribuiu para que ele desenvolvesse facilidade na escrita e na comunicação, habilidades que mais tarde facilitaram a criação dos roteiros e a adaptação de suas peças para diferentes perfis de plateia.
Atualmente, o Lúcio concilia as apresentações dos espetáculos com novos projetos literários e dramatúrgicos desenvolvidos pela produtora. Além de escrever e dirigir as montagens em turnê, ele assina obras infantis, como ‘O grande vale dos dinossauros’, que complementam a experiência dos espetáculos, fortalecendo a estrutura de uma companhia autônoma que leva o nome de Itabira para diversas regiões.