Por Tatiana Santos
Familiares, amigos e fiéis se reuniram nesta quinta-feira (10/09) na Catedral Diocesana para a celebração da Santa Missa de Corpo Presente em homenagem a José Ivanir Américo, conhecido como padre Ivanir. O religioso morreu aos 87 anos no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), onde estava internado há cerca de 14 dias. Antes de formar sua família, Ivanir desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento comunitário e religioso de Itabira. Durante as homenagens na Catedral, os filhos do casal compartilharam relatos sobre a convivência, a retidão e o legado de caridade deixado pelo pai. Saulo Fonseca destacou que o exemplo do pai esteve presente em todas as fases de sua vida:
“O pai foi um exemplo desde o sacerdócio e também depois como pai. Tenho só lembranças boas dele. O homem que eu sou hoje, que eu e meu irmão somos hoje, é graças a tudo o que a gente teve de convivência com ele, de aprendizado, e principalmente, do que a gente presenciou ele fazendo. Ele foi exemplo de sacerdote enquanto foi por 17 anos, foi exemplo como pai de família, como esposo, como avô”.
Saulo ainda fez questão de ressaltar a importância do pai na comunidade da qual era muito ativo junto da esposa: “Deixou um legado muito grande para a gente e para toda a comunidade itabirana e onde ele passou. O que conforta o nosso coração é que agora eu tenho certeza de que ele está em um lugar melhor, e que no futuro a gente vai se encontrar também”. Ao falar sobre a maior lição deixada por Ivanir, Saulo relembrou um diálogo marcante que o pai teve com a esposa pouco tempo antes de sua partida:
“O maior ensinamento foi amar a todos. É o ensinamento que Jesus ensinou e ele também me repassou. Meu pai teve uma conversa muito importante com a minha mãe há dois meses, mais ou menos, e nessa conversa ele falou que estava muito tranquilo, que se tivesse que partir não tinha ressentimento de ninguém, ninguém tinha mágoa dele e nem ele mágoa de ninguém. Ele sempre amou todo mundo. Tirava do dele para dar para uma pessoa que não tinha. Isso me conforta e me traz a garantia do que ele me ensinou”, finalizou o primogênito.
Sempre pronto a servir
Já Ivanir Júnior ressaltou que a marca registrada de seu pai foi a dedicação incansável ao próximo e o trabalho comunitário: “Na minha visão, acho que o maior ensinamento, o maior legado que meu pai deixou foi a caridade. Meu pai era muito caridoso, de tirar dele para dar ao próximo. Isso se justifica no trabalho do sacerdócio, nas pastorais, no trabalho voluntário. Tudo o que ele fez com muito zelo, carinho e amor à comunidade, principalmente Itabira, na área rural onde atuou, em Senhora do Carmo, Ipoema, Itambé, sempre com essa preocupação com o próximo e os mais carentes”, recordou.
Júnior reforçou ainda a serenidade com que a família enfrentou os momentos finais ao lado do pai, afirmando que a família está tranquila diante da partida do patriarca, devido à sabedoria que ele demonstrava em vida: “Ele já tinha preparado a gente para isso. Eu estive mais próximo agora devido à fase final da doença dele, acompanhei de perto. Fui me preparando juntamente com meu pai e com a sabedoria dele de nos preparar. O que conforta é ter a certeza de que ele está nos braços do Pai neste momento”, encerrou. O sepultamento aconteceu às 13h30, no Cemitério da Paz, onde familiares e amigos deram o último adeus ao ex-sacerdote.
Trajetória
No início de sua trajetória, atuou no Colégio Nossa Senhora das Dores e, posteriormente, liderou a Paróquia da Vila Amélia por quase duas décadas. Foi lá que idealizou a tradicional encenação ao vivo da Semana Santa, espetáculo protagonizado pela juventude local e narrado por ele até anos recentes, se firmando como patrimônio cultural e imaterial da região. Na década de 1960, a trajetória do religioso tomou novos rumos ao obter a autorização papal para se desligar do sacerdócio e oficializar a união com a professora aposentada Maristela da Fonseca Américo. Da união nasceram três filhos, e mais tarde, dois netos. Essa transição marcante entre a vocação sacerdotal e a vida familiar foi perpetuada por ele nas páginas do livro autobiográfico ‘Do Altar para o Seio Familiar’.