Por Tatiana Santos
A criação do Coletivo Forró Livre não representa apenas um movimento novo, mas a retomada de uma tradição cultural presente em Itabira. O projeto busca valorizar veteranos da cena musical local, carinhosamente chamados de “dinossauros” do forró pelos membros e articular encontros com trios tradicionais da região.
Itabira tem um histórico marcante de bandas e instrumentistas dedicados ao gênero, cuja visibilidade vinha diminuindo nos últimos anos. Um dos criadores do movimento Forró Livre ressalta a importância de manter viva a memória desses artistas e dar palco para a continuidade de suas trajetórias.
Geraldo Alves ressalta o papel do grupo no resgate dessa memória e cita nomes importantes da música regional. “Itabira tem o Trio Jaé, tem o Trio Conceição. Outro dia apareceu até o Júlio da Lua, que participou do Trio Xilique. Nós temos uma turminha lá que chamamos de dinossauro, e nós estamos precisando prestigiar mais essa galera nossa”, defende.
Além de valorizar o patrimônio local, o coletivo atua no intercâmbio com projetos culturais de municípios vizinhos, como os movimentos de forró universitário e pé-de-serra de Ipatinga e Belo Horizonte. Esse intercâmbio garante a renovação do público e o fortalecimento do circuito regional do gênero. “O coletivo surgiu através da necessidade de sair da sala de aula. Começou com quatro pessoas. A gente tinha que praticar o que estava aprendendo, e ficar só na sala de aula fica uma coisa meio mecânica. Aí resolvemos começar a sair para as praças”, relembrou o organizador.
O grupo enfatiza que a intenção é fazer o forró crescer sem excluir outras manifestações artísticas. Atualmente, há entre 250 e 300 participantes ativos nas intervenções do coletivo.