Por Tatiana Santos
Descobrir um problema de saúde logo no início pode mudar completamente o rumo de um tratamento. No caso do câncer de mama, o tumor que mais afeta as mulheres brasileiras, sem contar o de pele não melanoma, agir rápido faz toda a diferença para o sucesso da cura. Durante a ação de conscientização Jornada Rosa, realizada pelo Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD), médicos reforçam que o cuidado com o corpo deve ser constante ao longo do ano inteiro, e não apenas no mês de outubro.
Para que a mulher consiga perceber qualquer mudança no próprio corpo, o hábito de se observar no dia a dia é fundamental. Sinais como caroços, pele endurecida, alterações no formato do peito ou saídas de líquidos pelo bico da mama precisam ser investigados por profissionais. No entanto, notar alguma diferença não é motivo para pânico, pois a maioria das alterações é simples e benigna. A mastologista Victoria Romualdo reforça o valor de conhecer a si mesma para identificar novidades na saúde: “A gente só cumprimenta quem a gente conhece. Então, se a gente não conhece o nosso próprio corpo para saber como ele é normalmente, a gente não vai detectar uma alteração”, orienta.
Outro ponto essencial é entender que cada organismo reage de um jeito e nem todo mundo tem os mesmos riscos. Fatores como idade, alimentação, uso de álcool, sedentarismo e histórico na família influenciam no aparecimento da doença, mas ter um desses fatores não garante que a pessoa vá adoecer. Além disso, exames simples como a mamografia continuam sendo indispensáveis, e mitos como o de que a biópsia espalha o tumor ou que a dor é o único sintoma só atrapalham a prevenção.
Alternativas de cura
Quando o diagnóstico de câncer é confirmado por meio da biópsia e exames de imagem, o planejamento médico passa a ser único para aquela paciente. O tipo de célula, os hormônios e o tamanho da lesão vão indicar a combinação ideal de terapias, seja cirurgia, remédios ou radioterapia. Em muitos casos, é possível preservar a mama ou fazer a reconstrução do tecido, ajudando a manter o bem-estar e a autoestima da mulher durante o processo.
A médica ressalta que o foco principal da equipe de saúde é a pessoa, e não apenas a enfermidade: “Duas mulheres com câncer de mama podem receber tratamentos completamente diferentes, tanto cirurgicamente quanto de remédios e de esquemas de radioterapia, porque a gente trata o paciente, a gente não trata o câncer”, afirma.
Por fim, o apoio de diversos profissionais como psicólogos, enfermeiros e fisioterapeutas, somado ao carinho da família, torna toda a caminhada mais leve e segura. Deixar o medo de lado e fazer os exames de rotina é a melhor forma de se proteger, pois adiar uma consulta não impede que uma doença avance. O diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado para garantir o direito à saúde e a chances reais de cura.