Em entrevista ao programa Pontal Comunidade, ela falou sobre o diagnóstico, as dificuldades do tratamento, a importância da fé e o apoio recebido por meio de doações.
Diagnosticada com a síndrome de Cockett, uma condição vascular rara, e com neoplasia gástrica, a maquiadora itabirana Deiciele, de 36 anos, transformou a própria luta pela vida em uma história marcada por fé, resistência e mobilização coletiva. Após anos de tratamentos complexos, limitações físicas e deslocamentos constantes para fora do Estado, ela agora busca uma nova alternativa terapêutica no exterior, apoiada por uma rede de solidariedade formada por amigos, colegas de profissão e moradores de Itabira.
Os primeiros sintomas surgiram de forma repentina, a partir de uma situação cotidiana, e evoluíram rapidamente para um quadro grave de trombose. Após uma sequência de exames, veio o diagnóstico da síndrome de Cockett, caracterizada pela compressão da veia ilíaca esquerda, comprometendo o retorno venoso e provocando episódios recorrentes de trombose. Desde então, Deiciele é acompanhada pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), passando por diferentes tentativas de tratamento, incluindo procedimentos invasivos que não tiveram o resultado esperado.
Durante a investigação clínica, outro diagnóstico agravou ainda mais o cenário. Exames realizados após anos de tratamento para anemia severa revelaram a presença de câncer gástrico, com múltiplos pólipos malignos distribuídos pelo estômago. A conduta adotada tem sido paliativa, com a retirada gradual das lesões, como forma de adiar a retirada total do órgão. O caso, considerado raro pela idade da paciente e pelas características clínicas, chegou a ser apresentado em congresso médico.
As doenças impactaram diretamente a rotina pessoal e profissional da maquiadora, que precisou reduzir drasticamente os atendimentos devido às limitações físicas. Os deslocamentos frequentes para tratamento fora da cidade também impuseram desgaste emocional e financeiro. Ainda assim, Deiciele afirma que nunca deixou de acreditar. “Eu escolhi continuar. A fé não elimina a dor, mas me dá força para não desistir”, disse.
A possibilidade de tratamento na Índia surgiu após o contato com relatos de outros pacientes atendidos em uma clínica que associa medicina convencional e terapias integrativas. Após a análise dos laudos médicos, a instituição indicou a viabilidade do atendimento. O tratamento está previsto para começar em 1º de maio, no estado de Kerala, com duração inicial de seis semanas em regime de internação.
Para tornar a viagem possível, amigos organizaram uma vaquinha online e uma série de ações solidárias, como bazares, atendimentos beneficentes e eventos comunitários. A mobilização rapidamente ganhou adesão em Itabira, evidenciando o impacto da história de Deiciele sobre a comunidade. As doações podem ser feitas via Pix, pela chave deicielle@hotmail.com, com valores destinados integralmente ao custeio do tratamento e das despesas médicas.
Mesmo diante da incerteza, ela reforça que a esperança segue intacta. “Não é sobre fingir que está tudo bem. É sobre acreditar que a vida ainda pode surpreender”, afirmou. Para Deiciele, a corrente de apoio formada ao seu redor representa mais do que ajuda financeira. É a confirmação de que sua luta não é solitária.
A história da maquiadora revela não apenas o enfrentamento de doenças graves, mas também a força da fé, da persistência e da solidariedade como elementos centrais na busca pela vida e pela dignidade.