Tatiana Santos
Este mês é marcado como aquele que simboliza o enfrentamento à violência contra a mulher. Apesar de o tema ter grande relevância durante todo o ano, o Agosto Lilás é uma campanha para colocar em pauta a conscientização e o combate à violência de gênero.
Dados disponibilizados pelo delegado da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam) em Itabira, João Martins Teixeira, mostram números relevantes: 90% das mulheres que foram vítimas de feminicídio nos últimos anos em Minas Gerais não estavam sendo acompanhadas por uma rede de proteção. Sendo assim, essas vítimas nunca pediram medidas protetivas.
Em Itabira, o número de ocorrências envolvendo a violência doméstica ainda é muito alto, com uma média de 70 a 80 ocorrências por mês, que somadas, chegam a mais de 900 casos por ano. As estatísticas demonstram manutenção dos números, e em três anos, foi registrado um único feminicídio no município. “O ideal seria que a gente não tivesse tido nenhum, mas infelizmente tivemos um. Mas ainda assim, a média é muito inferior ao restante do estado, ao restante do Brasil. Então, esse é um dado relativamente positivo para a gente aqui de Itabira”, declara, frisando que se espera que nos próximos anos não haja nenhuma ocorrência.
O delegado atribui esse quantitativo a uma rede de enfrentamento fortalecida e atuação preventiva. Na visão do agente, a violência doméstica é algo escalonado, que não começa num estágio mais grave. Com a atuação antecipada da delegacia é possível fazer o rompimento desse ciclo da violência antes que ocorra o feminicídio. Ele esclarece: “Muitas pessoas falam que as medidas protetivas são só um pedaço de papel, mas os dados mostram o contrário, mostra que as vítimas de feminicídio não tinham a proteção do Estado. Então, a medida realmente é um instrumento eficaz de prevenção”.
Ferramentas de apoio importantes
Segundo dr João Martins, Itabira atua com uma rede de enfrentamento muito sólida e de forma integrada com diversos órgãos, como a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD) da Polícia Militar, o Centro de Referência e Apoio à Mulher (Cream), Secretarias de Assistência Social, de Saúde e Educação, conselhos municipais. “A gente tenta atuar de forma integrada para atingir o problema de forma multidisciplinar”, afirma.
Algumas ferramentas são importantes no combate à violência, como o aplicativo ‘Chame a Frida’ (99398-6100), em que as mulheres conseguem entrar em contato com a delegacia de forma mais ágil e simplificada. O delegado explica que, em caso de uma mulher que já tem vivenciado há muito tempo quadros de agressões, a principal ação é não se calar e comunicar às autoridades. Há canais de denúncia anônima, como o Disque 100, do Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos, o 180 e o 181, canais por meio dos quais as pessoas podem fazer essas comunicações.