Por Tatiana Santos
O Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina é celebrado nesta quarta-feira (24/06). Popularmente chamada de lábio leporino, é uma condição genética que afeta milhares de nascimentos anualmente no Brasil. A data ganha o rosto e a voz de histórias reais de superação, como a da agente comercial itabirana Larissa Rocha. Nascida com a malformação bilateral, ela enfrentou uma jornada de 15 cirurgias e hoje utiliza sua vivência para conscientização e autoaceitação.
A infância e a adolescência da itabirana foram marcadas por uma intensa rotina hospitalar, e fora dos consultórios pelo desafio de lidar com o preconceito, o bullying e até as agressões físicas na escola. Ela relembra que a família sempre um local seguro de amor e carinho. Porém, nas ruas a rejeição foi algo doloroso durante a sua fase de formação. Mas a reviravolta em sua história aconteceu quando ela decidiu ressignificar suas marcas e assumir o controle da própria vida: “Eu aprendi a me amar quando eu me incluí na minha história, quando eu comecei a ver que eu que tinha que me respeitar”, afirma, recordando o momento em que o amor próprio venceu os julgamentos.
O tratamento foi realizado em Bauru (SP), que é referência mundial para malformações craniofaciais, sendo viabilizado pelo suporte do SUS e do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) de Itabira. Com as cirurgias, Larissa alcançou a reabilitação física e o fortalecimento emocional. A itabirana destacou que o suporte municipal foi fundamental para o sucesso do tratamento, garantindo hospedagem, alimentação e passagens para as viagens a São Paulo sem gastos para sua família.
Conscientização em Itabira e região
Hoje, ela usa as redes sociais para quebrar tabus e também tem planos de começar a palestrar em escolas da região, focando na conscientização dos jovens e no combate ao preconceito. A agente comercial buscará o apoio de amigos da área cultural para colocar a ideia em prática e ensinar a importância da inclusão. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 5 mil crianças nascem todos os anos com a condição no país, o que representa uma a cada 650 nascimentos. Graças ao avanço da medicina, o diagnóstico já pode ser realizado precocemente, ainda no quinto mês de gestação, permitindo o encaminhamento imediato para hospitais de referência após o nascimento.
Ao avaliar sua trajetória, Larissa demonstra orgulho de cada fase superada e destaca que suas experiências construíram sua identidade atual. “Não mudaria nada hoje do meu passado, porque foi o meu passado, do jeito que ele foi, que me fez tornar a pessoa que eu sou hoje. A minha personalidade foi formada pelas cicatrizes que eu tive”, reflete.
Atualmente, Larissa colhe os frutos de sua coragem ao receber mensagens de apoio e se conectar com mães que buscam conforto ao receberem o diagnóstico de seus bebês. Ela deixa um apelo para toda a sociedade sobre a importância de olhar para a pessoa além de sua estética. “Vamos tentar enxergar o próximo além da aparência, porque isso ferra a cabeça de uma pessoa. A gente não quer ver ninguém ser destruído por causa de uma aparência”, finaliza.