Por Marcello Ambrósio
O estado de Minas Gerais atravessa um momento crítico em suas contas públicas. Segundo um relatório consolidado da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG) enviado ao Tesouro Nacional, o estado iniciou o ano de 2026 com uma disponibilidade de caixa líquida negativa em mais de R$ 11 bilhões. Esse indicador, que representa o dinheiro que sobra após o pagamento de todas as obrigações imediatas, coloca Minas como a unidade da federação em pior situação fiscal no país.
A crise financeira é alimentada por uma combinação de dívidas bilionárias e projeções de déficit. Para 2026, a previsão é de um rombo adicional de R$ 5 bilhões. O estoque total da dívida de Minas com a União já alcança a cifra astronômica de R$ 187 bilhões. Embora o governo tenha aderido ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) — que permite o parcelamento em 30 anos e redução de juros mediante investimentos em áreas como educação e segurança —, o crescimento contínuo do montante preocupa especialistas.
Desafios e Renúncias Fiscais
Economistas apontam que, além do endividamento, o estado enfrenta o desafio das renúncias fiscais. Somente em isenções para empresas, Minas deixou de arrecadar aproximadamente R$ 25 bilhões. Para o economista Gelton Pinto Coelho, esse cenário impacta diretamente a vida do cidadão: “A falta de entrega de serviços para a população é um problema grave gerado pelo crescimento da dívida. É vital que o gasto público seja redirecionado para reduzir esse montante”.
Em sua defesa, o governo mineiro esclarece que o saldo negativo de R$ 11 bilhões refere-se a recursos “não vinculados” (receitas livres) e que o cálculo é inflado por passivos herdados de gestões anteriores. O Executivo afirma que o foco atual é a renegociação dessas obrigações para estabilizar o fluxo de caixa, mas o início de 2026 sinaliza que o caminho para a recuperação econômica da Cidade Administrativa ainda será longo e repleto de cortes necessários.
