Por Tatiana Santos
A parceria entre a Funcesi e a Prefeitura de Itabira traz benefícios que vão além da ajuda direta aos moradores das comunidades. Explicando essa relação entre os estudantes e a população, o coordenador do curso de Direito da instituição, Alexandre Pires ressalta: “É uma troca entre os alunos que são supervisionados pelos advogados e a comunidade”. Na mesma linha, o superintendente de Proteção Básica, Eric Alexandre, lembra a função social da fundação de ensino no município: “As universidades também têm um compromisso social e que elas precisam cumprir com esse compromisso”.
Para os estudantes do curso de Direito, a participação no Serviço de Assistência Judiciária (SAJ) funciona como uma grande oportunidade de aprendizado prático antes da formatura. Durante as ações itinerantes nos bairros e nos atendimentos no escritório-escola, os estagiários atendem a população de verdade, sempre com a supervisão direta de professores e advogados experientes. Eles ajudam a analisar os casos, separar os documentos necessários e elaborar as peças jurídicas.
Esse tipo de atividade é chamado de projeto de extensão acadêmica. O conceito significa tirar o conhecimento das salas de aula e levar serviços reais para dentro da comunidade. A Funcesi realiza projetos semelhantes com diversos outros cursos, como Medicina, Psicologia, Enfermagem e Fisioterapia.

Alexandre explica que esse trabalho faz parte da proposta de uma instituição comunitária. “A Funcesi é uma fundação comunitária de ensino”. Segundo ele, os projetos de extensão permitem que o conhecimento produzido dentro da instituição chegue aos moradores. “Porque ela é comunitária. Então, ela existe em razão da comunidade”, destaca.
Ao lidar com casos de pensão alimentícia, inventários e causas cíveis ou criminais, os alunos aprendem a ter uma visão humana dos problemas sociais de Itabira. A troca é positiva para os dois lados, ou seja, a população recebe um atendimento gratuito de qualidade e o estudante sai da faculdade mais preparado para o mercado de trabalho. O atendimento prestado pelo SAJ funciona há mais de 20 anos na cidade. Antes da chegada da Defensoria Pública ao município, o projeto da faculdade era a principal porta de entrada para quem precisava de Justiça gratuita. A ideia é que novas parcerias possam surgir a partir das necessidades apresentadas pelos moradores, associações e serviços públicos.