Milhares de ambulantes se misturavam ao vai e vem de foliões na Avenida Brasil, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, durante o desfile do bloco Lagum, na manhã deste domingo (15/2). Apesar da grande concorrência, a saída de bebidas era constante, reflexo das estratégias adotadas pelos vendedores mais experientes para aumentar o lucro.
A ambulante Kenia Silva, de 35 anos, por exemplo, posicionou-se no centro do fluxo de foliões, onde, segundo ela, as vendas aumentam. “Este é o meu quarto ano como ambulante e fui aprendendo com o tempo. Um desses aprendizados é que o centro do desfile é o melhor lugar para vender, é onde sai mais. Alguns blocos também são melhores. O bloco do Lagum é ótimo para venda”, explicou.
De fato, a expectativa de público no Lagum na Avenida era de cerca de 100 mil foliões. Kenia avalia ainda que, nos anos em que o Carnaval cai em fevereiro, as vendas tendem a ser menores. Por isso, ela espera uma queda em relação ao lucro do ano passado, quando faturou cerca de R$ 8 mil, com a folia realizada em março.
“Fevereiro ainda é um mês apertado, após o início do ano com muitas contas, como IPVA e IPTU. Dá para perceber: tem muita gente com bolsa térmica, está mais fraco. Mas ainda dá para fazer dinheiro. Eu trabalho para ter o que guardar, como reserva de emergência”, acrescentou.
Para o ambulante Robson Gomes, de 38 anos, com o aumento do público do Carnaval de BH, a expectativa de ganho também cresce. Ele pretende alcançar lucro superior ao do ano passado, quando faturou cerca de R$ 16 mil.
“É o meu sexto Carnaval. Existem agora algumas concorrências difíceis, como ambulantes não credenciados, que praticam preços mais baixos. Mesmo assim, está vendendo, e mantenho minha meta de lucro alta”, afirmou, entre uma venda e outra.
Já para Viviana da Costa, de 43 anos, este é o primeiro ano trabalhando como ambulante no Carnaval. A alternativa surge como forma de equilibrar as contas, já que está desempregada. Para ela, toda venda conta, mas, se conseguisse faturar R$ 6 mil nos quatro dias de folia, o resultado já seria positivo.
“A meta é chegar ao fim do Carnaval vendendo. Trouxe meus sobrinhos para me auxiliarem. Infelizmente, a concorrência está alta, são muitos ambulantes. Mas estamos conseguindo tirar um dinheiro”, contou.
Fonte: O Tempo