Por Marcello Ambrósio
O sacerdote católico Frei Gilson, fenômeno nas redes sociais com mais de 12,8 milhões de seguidores, tornou-se o centro de uma intensa repercussão negativa após declarações controversas sobre temas sociais e de gênero. As falas do religioso, que associa o empoderamento feminino a uma “ideologia diabólica” e defende a submissão da mulher ao homem como “chefe do lar”, provocaram reações de figuras públicas como a senadora Soraya Thronicke, que o chamou de “falso profeta”, além da deputada Tábata Amaral e da jornalista Rachel Sheherazade.
Declarações que Geraram Reação
O conteúdo que desencadeou a polêmica mais recente é um vídeo onde o Frei afirma que a mulher nasceu para ser “auxiliar do homem” e que a busca por autonomia financeira e social seria um “desejo de poder” contrário à Bíblia. Além disso, o religioso acumula outras falas polêmicas:
- Questões Raciais: Classificou debates sobre racismo como parte de uma “geração mimimi”.
- Sexualidade e Moral: Reitera posicionamentos rígidos contra relações homoafetivas, uso de anticoncepcionais e sexo fora do casamento, baseando-se no Catecismo da Igreja Católica.
- Política: Durante transmissões, já fez apelos religiosos para livrar o Brasil do “comunismo”, misturando fé com posicionamento ideológico.
- Bioética: Posiciona-se radicalmente contra o aborto e a morte assistida (desligamento de aparelhos), afirmando que o ser humano não tem poder sobre a vida.
Repercussão e Críticas
Nas redes sociais, internautas e personalidades criticaram o tom do sacerdote. Rachel Sheherazade pontuou que a mensagem de Jesus seria de misericórdia e respeito, não de moralismo. Tábata Amaral, embora respeite a trajetória do Frei, afirmou que Jesus foi um defensor da igualdade e que a visão de submissão feminina é anacrônica. Por outro lado, internautas acusaram o religioso de falta de letramento racial ao minimizar o preconceito.
Quem é Frei Gilson?
Aos 39 anos, Gilson da Silva Pupo Azevedo é integrante do Instituto dos Freis Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo. Ordenado em 2013, ele ganhou projeção nacional não apenas pela pregação, mas pela música e pelas “Lives do Rosário”, que durante a quaresma chegam a reunir mais de 1 milhão de pessoas simultaneamente às 4h da manhã. Apesar das críticas por seu viés conservador, ele mantém uma base de fiéis sólida e é uma das vozes católicas mais influentes do ambiente digital brasileiro.
