Por Marcello Ambrósio
O atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych foi desclassificado nesta quinta-feira (12) das provas de skeleton nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. O motivo: ele se recusou a competir sem um capacete que trazia imagens de atletas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.
A decisão foi confirmada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que afirmou que o competidor descumpriu as diretrizes da entidade sobre manifestações políticas ou simbólicas durante os Jogos.
O que aconteceu
Heraskevych participou dos treinos usando um capacete cinza estampado com rostos de esportistas ucranianos que morreram no conflito. A equipe do atleta chamou o item de “capacete memorial”.
Entre os homenageados estavam o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto em combate perto de Bakhmut, e o jovem biatleta Yevhen Malyshev, de 19 anos, que morreu próximo a Kharkiv.
O COI chegou a sugerir uma alternativa: que o atleta utilizasse uma braçadeira preta como forma de homenagem. No entanto, segundo a entidade, ele recusou a proposta após reuniões, inclusive com a presidente do comitê, Kirsty Coventry.
Diante da negativa, os juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) aplicaram o regulamento que proíbe equipamentos fora do padrão aprovado. O COI, então, retirou a credencial olímpica do atleta.
Em nota, a entidade afirmou que tomou a decisão “com pesar”, mas destacou que não houve acordo após diversas conversas.
Repercussão e posicionamentos
Heraskevych reagiu nas redes sociais com uma frase direta: “Este é o preço da nossa dignidade”.
A decisão também provocou reação política. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, criticou o comitê e afirmou que o episódio será lembrado como “um momento de vergonha” para o COI.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky já havia elogiado a iniciativa do atleta dias antes, reforçando que o capacete trazia “os rostos de nossos atletas assassinados pela Rússia”.
Esporte, política e limites
O caso reacende um debate delicado: até onde vai a neutralidade olímpica em tempos de guerra? Enquanto o COI mantém a regra de evitar manifestações durante os Jogos, para Heraskevych a homenagem era uma questão de memória e respeito.
Entre regulamento e simbolismo, a decisão acabou tirando o atleta da competição — e colocando o tema novamente no centro das discussões globais.
