Por Marcello Ambrósio
Morte de professora por inalação de gás tóxico foi causada por mistura incorreta de produtos; funcionário não tinha qualificação técnica e recebia ordens por aplicativo.
SÃO PAULO – Novas provas obtidas pela investigação da Polícia Civil revelam a precariedade na manutenção da piscina da academia onde a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu intoxicada na Zona Leste de São Paulo. Áudios trocados entre o proprietário, Celso Bertolo, e o funcionário Severino José da Silva, mostram que as medições e a aplicação de produtos químicos eram feitas sem qualquer rigor técnico.
Manutenção por Aplicativo
Severino, que trabalhava originalmente como manobrista, era o responsável por cuidar da água, apesar de não possuir especialização. Segundo a defesa do trabalhador, ele enviava fotos do medidor de pH e cloro via celular e recebia instruções de Celso sobre quais produtos adicionar.
- As orientações: Em um dos áudios, o empresário afirma que a água está “horrível” e ordena: “Dá uma clorada mais forte pra amanhã estar bonita”.
- Falta de registro: A polícia confirmou que a academia não possuía o livro de registros obrigatório por lei, onde devem constar as medições diárias de alcalinidade e acidez.
A Ciência por Trás da Tragédia
A perícia e especialistas do Instituto de Química da USP explicaram que a morte foi causada pela liberação de gás cloro, uma substância altamente tóxica. O gás é gerado quando agentes de cloração (como hipoclorito de cálcio ou dicloro isocianurato) entram em contato direto com ácidos reguladores de pH em um ambiente fechado ou em recipientes inadequados (como um balde).
O perigo do gás cloro: Ao ser inalado, o gás reage com a água das mucosas do nariz e pulmões, causando irritação profunda, edema pulmonar e, em altas concentrações, a morte por sufocamento.
Desdobramentos Jurídicos
O delegado responsável pelo caso, Alexandre Bento, afirmou que os sócios “assumiram o risco” de expor os alunos a gases letais.
- Investigação: Os três sócios — Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração — são investigados por homicídio com dolo eventual ou negligência grave.
- Justiça: Recentemente, a Justiça negou o pedido de prisão temporária dos empresários, que seguem à disposição das autoridades.
- Sobreviventes: O marido de Juliana, Vinícius, e um jovem de 14 anos que também foi internado em estado grave, já receberam alta hospitalar.
