Tatiana Santos
A preocupação com a saúde é de extrema importância. Mas em tempos que as pessoas vivem uma rotina corrida e dispõem de pouco tempo para cozinhar, muitos preferem recorrer a uma alimentação rápida, onde nem sempre a opção é por uma dieta saudável. Com isso, vêm as doenças crônicas, como a obesidade. E um dos primeiros pensamentos é: ‘vou fazer a cirurgia bariátrica’, o que nem sempre é o melhor caminho.
O mentor de médicos e especialista em medicina integrativa, Caio Seródio, esclarece que antigamente se usava o Índice de Massa Corporal (IMC) para avaliar se uma pessoa estava dentro do peso considerado saudável para sua altura. Com o resultado do cálculo da altura dividido pelo peso ao quadrado, se supunha que estaria dentro do peso ideal, acima ou abaixo.
Hoje em dia, o método está em desuso, ou seja, perdeu a validação desse tipo de cálculo. Agora, o IMC passou a ser um cálculo para referenciar a população e não individualmente. “Então, por exemplo, a população de Itabira, tem o IMC de 30, ou seja, a população tem uma obesidade de grau 1. Hoje, nós temos outros meios de fazer diagnóstico para a obesidade com diversos métodos, como, por exemplo, a impedância, as medidas antopométricas (garra)”, detalha. Outras formas utilizadas para aferir se o paciente está dentro ou fora dos parâmetros é a medida da cintura abdominal.
Dica de especialista
Uma dica do especialista para a pessoa saber se está obeso é medir a cintura abdominal, que não pode ultrapassar 50% da altura. Por exemplo, se tem 1,80m, a circunferência tem que estar abaixo de 90. Para 1,60m, a cintura abdominal tem que estar abaixo de 80. De maneira geral, o IMC de 26 a 29 é considerado sobrepeso, de 30 a 35 é obesidade grau 1. Entre 35 e 40, grau 2. Acima de 40, o grau é o 3.
Cirurgia bariátrica, sim ou não?
A cirurgia bariátrica é um procedimento que ajuda na perda de peso em pessoas com obesidade grave, alterando o tamanho do estômago. Com isso, se reduz a capacidade de receber e de digerir a comida. A intervenção, para muitos indivíduos, é a primeira opção. No entanto, a indicação para Dr Seródio é aos pacientes que têm obesidade mórbida. “Nesses casos, onde o paciente está hipertenso, diabético, deslipidêmico, já tem problema vascular, doença cardiovascular, ele precisa perder peso com uma certa urgência para que possa melhorar a sua saúde”.
O mentor de médicos afirma que atualmente há métodos de tratamento extremamente eficazes para diminuir os processos de obesidade. Segundo explica, ele tem pacientes com obesidade de grau 1, 2 e 3, que ao fazerem os protocolos para desinflamação do corpo, há um destravar dos receptores de insulina. Com isso, o músculo passa a absorver mais a glicose e os nutrientes que estão no sangue, resultando em melhora no metabolismo. A recomendação é de, antes de ir para uma mesa de operações, se o grau de obesidade for de 1 a 3, que procure um especialista para fornecer orientações adequadas.
A explicação é que numa bariátrica a estrutura do trato digestivo é alterada. “Essa mudança vai fazer essa pessoa ingerir pouco alimento. Como ela já estava inflamada, tem disbiose, e a disbiose faz uma má absorção ainda mais de nutrientes, então, a pessoa já não está absorvendo direito. Além de tudo, vai comer pouco por causa da bariátrica”, diz, hipoteticamente. Nesse caso, começa a sofrer de desnutrição protéico-calórica, o que acaba comprometendo até mesmo a aparência do paciente, que fica com a pele envelhecida, fica desnutrida e perde-se massa magra e gorda.