Por Marcello Ambrósio
Enquanto os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel entram em sua segunda semana, os moradores de Teerã descrevem uma rotina marcada pelo terror constante, escassez de alimentos e um “apagão” de informações. Desde a morte do líder supremo, Ali Khamenei, no último sábado (28), a capital iraniana tornou-se o epicentro de bombardeios que, embora mirem alvos militares, têm deixado rastros de destruição em áreas civis, como o caso de uma escola atingida em Minab que vitimou crianças.
O cotidiano sob bombardeio
- Terror Sonoro e Físico: Moradores relatam que precisam manter as janelas de casa abertas para evitar que o vidro estilhace com a onda de choque das explosões. “O volume de ataques é tão alto que parece que a casa vai desabar”, relata um sobrevivente.
- Crise de Abastecimento: O preço de itens básicos, como ovos e batatas, disparou. Filas quilométricas para pão e gasolina tornaram-se parte da paisagem urbana de uma Teerã que parece “vazia” e silenciosa entre os bombardeios.
- Censura Digital: O governo iraniano tem imposto apagões de internet para controlar a narrativa. A população recorre a VPNs para tentar notícias de familiares ou acessar portais internacionais, enfrentando uma conexão instável e perigosa.
Medo em Dose Dupla: Bombas e Repressão
Para muitos iranianos, o medo vem tanto do céu quanto das ruas. O regime islâmico intensificou a presença policial e o envio de mensagens de texto ameaçadoras. Qualquer tentativa de protesto ou dissidência é classificada pelas autoridades como “colaboração com Israel”, crime punível com a morte.
Apesar do caos, os relatos dividem-se entre o trauma e uma fagulha de esperança. Enquanto alguns temem o futuro de suas famílias, outros veem no enfraquecimento do regime a chance de uma mudança definitiva. “Estamos esperando o momento final, quando seremos vitoriosos”, afirma um estudante sob anonimato.
