Calote Bilionário: O impacto de uma única empresa nas contas do Banco do Brasil
Por Marcello Ambrósio
O Banco do Brasil (BB) revelou que um único cliente do setor de atacado (grandes empresas) deixou de pagar uma dívida de R$ 3,6 bilhões no final de 2025. Esse evento isolado foi forte o suficiente para mexer em um dos indicadores mais vigiados pelo mercado: a taxa de inadimplência.
O “estrago” nos indicadores
Para entender o tamanho do impacto, basta olhar a diferença que esse calote fez no índice de atrasos acima de 90 dias:
Com o calote: A inadimplência saltou para 5,17%.
Sem o calote: O índice estaria em 4,88%.
Embora o banco não tenha revelado o nome da empresa por questões de sigilo, o mercado especulou sobre a Braskem — informação que a própria companhia negou publicamente em nota oficial.
O “lado bom” (sim, ele existe)
Apesar do susto com o bilhão perdido, os investidores reagiram bem aos resultados. Isso aconteceu por alguns motivos principais:
Prejuízo já esperado: O banco afirmou que essa dívida era um “caso antigo e problemático” que já vinha sendo monitorado. O dinheiro para cobrir essa perda já estava guardado (provisionado) há anos.
Dívida repassada: Em janeiro de 2026, a operação foi regularizada e a dívida foi vendida para terceiros. Ou seja, o BB “passou o problema adiante”.
Lucro resiliente: Mesmo com o ano de 2025 sendo de ajustes, o banco fechou o ano com um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões.
O que esperar para 2026?
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, sinalizou que o banco está passando por uma “inflexão”. As projeções para este ano são mais otimistas:
Lucro estimado: Entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
Foco no Agro: O banco espera que a inadimplência no setor agrícola, que pesou muito em 2025, comece a cair a partir deste primeiro trimestre.
Expansão: O foco maior de crescimento será no crédito para pessoas físicas, com expectativa de alta de até 10%.