Por Tatiana Santos
O câncer de próstata é uma doença que deve registrar mais de 71 mil novos casos no Brasil até o final de 2025. Em meio ao Novembro Azul, profissionais como o urologista Fernando Bicalho e a professora e voluntária da Oncoviva, Carla Júnia Santos, têm intensificado ações de conscientização em Itabira.
De acordo com Dr. Fernando, o câncer de próstata é silencioso. Quase nunca apresenta sintomas na fase inicial, o que torna o rastreamento anual a principal forma de detectar precocemente a doença. “No início o paciente não sente nada, urina normal, não tem alteração nenhuma. Hoje, 80% dos pacientes que a gente dá o diagnóstico, o [exame de] toque é normal, mas o PSA está alterado”, explica.
Ele alerta que a ausência de sintomas não significa ausência da doença. Metade dos homens não realiza sequer o exame de PSA, o que faz com que muitos descubram o câncer em fase avançada, quando surgem sinais como: dificuldade para urinar, sangue na urina, dor óssea (indicando possível metástase nos ossos) ou retenção urinária grave. Nessa fase, as chances de cura diminuem drasticamente, e o tratamento passa a ser apenas paliativo.
Preconceito: inimigo que mata mais que a doença
O toque retal ainda é cercado de tabus. Dr. Fernando explica que o desconforto existe, mas é mínimo se comparado às consequências de um diagnóstico tardio. “O homem tem vergonha até de ficar nu no consultório. Mas o toque é simples, rápido e pode salvar vidas. Quem vê um paciente com metástase óssea perde qualquer preconceito”, alerta.
Ele reforça que, quando o diagnóstico ocorre cedo, as chances de cura chegam a 95%. Ainda conforme o profissional, o rastreamento começa com o PSA aos 40 anos. Se o resultado estiver normal, o paciente segue apenas em monitoramento. Na população negra e acima do peso, o toque retal é recomendado aos 45 anos, devido ao maior risco da doença. Mesmo preconizado que entre pacientes magros, brancos e sem histórico familiar façam aos 50, Dr Fernando prefere padronizar em 45 anos todos seus pacientes, devido à miscigenação racial. Problemas de ereção Uma das maiores preocupações dos homens é a possibilidade de impotência após a cirurgia.
O médico enfatiza que pacientes com ereção comprometida podem piorar após o tratamento, porém, existem opções eficazes, como medicamentos, injeções penianas e próteses. Por outro lado, quem adia o diagnóstico e desenvolve câncer avançado terá como tratamento a castração química, que elimina completamente o desejo sexual. “Se o medo é perder a ereção, é preciso entender que o câncer avançado é muito pior. Tratar cedo permite curar a doença e tratar qualquer sequela”, alerta.
Ações no Novembro Azul
Carla Júnia comenta que neste mês a instituição intensificou as ações voltadas à prevenção do câncer, especialmente em empresas que solicitam apoio da entidade. A associação sempre leva especialistas para dialogar com o público. “A Oncoviva tem uma característica de, quando vamos apresentar ações educativas, convidamos um profissional para prestar esclarecimentos valiosos”, afirma, destacando a parceria com o urologista. As atividades também foram oferecidas em parceria com PSFs de Itabira.
Neste sábado (29), às 9h, será realizada a tradicional Caminhada Parada Legal da Oncoviva, em parceria com diversas empresas da cidade. “Já quero deixar o convite. A saída é da rodoviária, passando pela Avenida João Pinheiro, fazendo o percurso até o final, próximo da Praça Acrísio. Será um prazer ter vocês lá conosco nesse momento de conscientização”, convida. A Oncoviva tem fortalecido seu trabalho de apoio a pacientes oncológicos por meio de uma rede de acolhimento que começa ainda na atenção primária. Muitos pacientes chegam à associação por indicação dos PSFs, que identificam pessoas que podem se beneficiar das atividades oferecidas.