Por Marcello Ambrósio
As fortes tempestades que castigaram a Zona da Mata em Minas Gerais nos últimos dias resultaram em uma crise humanitária de grandes proporções. De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo Corpo de Bombeiros e pelas autoridades locais, o número de mortos subiu para 71, com a maior parte das fatalidades concentrada no município de Juiz de Fora, onde 64 óbitos foram confirmados. Outras sete mortes ocorreram na cidade de Ubá, onde as equipes de resgate ainda trabalham na busca por uma pessoa desaparecida. Além dessas cidades, o município de Cataguases também registra um desaparecido, mantendo o estado de alerta na região enquanto as buscas continuam.
O impacto socioeconômico da tragédia é severo, com mais de 8.500 pessoas forçadas a deixar suas casas, dividindo-se entre desalojados — aqueles que puderam buscar abrigo com familiares ou amigos — e desabrigados, que dependem de acolhimento público. Em Juiz de Fora, escolas municipais foram adaptadas para servir como centros logísticos e bases de recebimento de doações, onde voluntários e profissionais de assistência social organizam a distribuição de mantimentos, roupas e itens de higiene básica para as famílias que perderam tudo.
Apesar de as buscas em Juiz de Fora terem sido encerradas após a localização de todas as vítimas reportadas, a situação na região ainda é considerada crítica devido à instabilidade do solo e aos danos estruturais em diversas comunidades. As equipes de Defesa Civil permanecem monitorando áreas de risco para evitar novos deslizamentos, enquanto o governo estadual e as prefeituras locais articulam medidas de emergência para o suporte às vítimas e a reconstrução das áreas afetadas. A prioridade imediata das autoridades é o restabelecimento de serviços essenciais e o acolhimento digno dos milhares de cidadãos que ficaram sem moradia.
