Por:Karine Rosa
Em um marco sem precedentes para a produção científica nacional, a revista norte-americana Time incluiu, em sua prestigiada lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, os pesquisadores brasileiros Mariângela Hungria e Luciano Moreira. A edição, publicada nesta quarta-feira (15), destaca o impacto global de inovações desenvolvidas no Brasil que utilizam o poder da microbiologia para solucionar crises ambientais, econômicas e de saúde pública.
Pela primeira vez, o país ocupa duas cadeiras simultâneas no ranking da publicação na categoria de lideranças científicas, consolidando o Brasil como um celeiro de soluções sustentáveis e biotecnológicas.

Mariângela Hungria: A Revolução Verde nos Solos
Pesquisadora da Embrapa Soja, a microbiologista e agrônoma Mariângela Hungria que já havia sido laureada com o World Food Prize (o “Nobel da Agricultura”) em 2025,foi reconhecida por sua contribuição vital à segurança alimentar e à descarbonização.
O trabalho de Hungria foca no uso de bactérias fixadoras de nitrogênio, que substituem fertilizantes químicos,segundo a Time cerca de 85% da soja brasileira utiliza hoje esse microrganismos, a inovação gera uma economia anual de US$ 25 bilhões aos agricultores brasileiros,A técnica evitou a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de $CO_2$ e protegeu lençóis freáticos da contaminação por insumos sintéticos.
Luciano Moreira: A Tecnologia que “Desarma” o Mosquito
O geneticista Luciano Moreira, da Fiocruz, figura na lista por sua liderança no Método Wolbachia. A estratégia consiste em infectar mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria natural (Wolbachia) que impede o inseto de transmitir vírus como dengue, Zika e chikungunya.
A indicação da Time coincide com um momento de expansão industrial do projeto, o destaque foi a implementação de uma biofábrica em Curitiba, voltada à produção em larga escala desses mosquitos.
Moreira, que já havia sido citado pela revista Nature como um dos dez cientistas mais influentes do planeta, foi elogiado por conduzir o projeto desde a fase laboratorial até a aplicação prática em saúde pública no Brasil.
Um Recado ao Futuro
A presença dupla no “Time 100” não é apenas um reconhecimento individual, mas um atestado da resiliência das instituições públicas de pesquisa brasileiras, como a Embrapa e a Fiocruz. Em um cenário global que clama por soluções climáticas e controle de epidemias, o Brasil prova que a biodiversidade, quando aliada ao investimento em inteligência, é o nosso maior ativo estratégico.fonte revista time/portal só boa noticia .