O coletivo A Rosa do Povo realizará, neste sabádo, a final do slam poético aberta ao público, Na Praça Dr. Acrisío de Alvarenga. O evento começa às 18h e pretende reunir poetas, artistas e moradores em uma celebração da palavra e da resistência.
O slam ocupará o palco como competição de poesia falada. Cada participante terá até três minutos para interpretar texto autoral, sem uso de adereços, instrumentos musicais ou cenografia. A expressão corporal, entonação e presença são componentes centrais nessa modalidade. O júri será formado por cinco pessoas sorteadas entre o público, que atribuirão notas às apresentações.
O evento tomou A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade, como referência temática. Publicado em 1945, o livro reúne poemas que tratam da tensão entre angústia individual e o drama coletivo de seu tempo. Temas que reverberam nas vozes dos slammers. Ao colocar Drummond em diálogo com o formato do slam, o coletivo busca valorizar uma poesia que fala sobre povo, memória e resistência.
A rosa, símbolo recorrente no livro, representa a beleza que persiste mesmo em contextos adversos, enquanto o slam oferece espaço para que vozes historicamente silenciadas expressem seus próprios tormentos, críticas e utopias.
O slam, originado em Chicago nos anos 1980 e disseminado no Brasil a partir de 2008, funciona como arena literária e palco de denúncia social. Ele é reconhecido como gênero poético de resistência, consequência da oralidade, da cultura periférica e da necessidade de narrativas plurais.
A participação é aberta: quem quiser entrar na disputa pode se inscrever antecipadamente ou no momento com a equipe organizadora do evento. O uso da voz e do corpo será a ferramenta principal; o texto, previamente produzido ou improvisado, ganha potência na oralidade.
O público é convidado a assistir, a se emocionar, a refletir — e a multiplicar novas vozes.