BRASÍLIA – Instalada nesta semana para investigar a atuação de facções criminosas e milícias no país, a CPI do Crime Organizado reúne senadores de dez partidos, entre titulares e suplentes. A presidência ficou com Fabiano Contarato (PT-ES) e a relatoria, com Alessandro Vieira (MDB-SE).
O PT é a sigla com maior número de representantes, somando quatro integrantes. Em seguida vêm o PL, com três, e o MDB e o PSD, com dois cada. Já Podemos, PSB, Republicanos, União Brasil, Novo e PP têm um senador cada na composição da comissão.
Entre os titulares, estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES), Márcio Bittar (PL-AC) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), todos de oposição e alinhados ao bolsonarismo. Pelo lado governista e do centro, participam Otto Alencar e Angelo Coronel (PSD-BA), além de Rogério Carvalho (PT-SE), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Marcos do Val (Podemos-ES).
Entre os suplentes, integram a comissão os petistas Jaques Wagner (BA) e Randolfe Rodrigues (AP); Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB); Sergio Moro (União-PR); Eduardo Girão (Novo-CE); e Esperidião Amin (PP-SC). O Bloco Resistência Democrática, formado por PSD e PSB, ainda deve indicar um nome para completar a lista.
O Planalto resistiu à instalação para evitar desgaste político, já que a oposição costuma se sair melhor em pautas de segurança pública, segundo apontam pesquisas. Em uma vitória inicial, o PT conquistou a presidência da CPI, após o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), da oposição, ser derrotado em votação secreta.
Com a derrota, Mourão foi escolhido por aclamação para ocupar a vice-presidência da comissão. A relatoria ficou com Alessandro Vieira por acordo, por ele ser autor do requerimento que deu origem ao colegiado. A CPI terá prazo inicial de 120 dias e orçamento de R$ 30 mil.
Lewandowski será ouvido
Na sessão de instalação, a CPI aprovou convites para ouvir o depoimento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e do ministro da Defesa, José Múcio, além de 11 governadores, especialistas em segurança pública e chefes de órgãos policiais.
A comissão também aprovou requerimentos para interrogar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Corrêa, entre outros representantes de órgãos de segurança do governo federal.
A CPI pretende mapear o avanço das facções criminosas, seu financiamento e a infiltração em estruturas do Estado, além de propor novos projetos para o enfrentamento da criminalidade. A instalação ocorre em meio ao aumento da violência em estados como Rio de Janeiro e Bahia e à pressão popular por respostas mais duras na área de segurança pública em todo o país.
Fonte: O Tempo