Por Marcello Ambrósio
Criminosos na capital paulista estão utilizando as redes sociais para divulgar vídeos de furtos de celulares, transformando atos ilícitos em uma espécie de vitrine digital. As imagens, que circulam em dezenas de perfis, mostram abordagens variadas, como ataques de bicicleta, quebra de vidros de veículos e furtos dentro de vagões do metrô. Muitas vezes, a ação é filmada por um comparsa que acompanha o crime apenas para registrar a investida e a fuga, celebrando o sucesso do ato para atrair seguidores e ganhar reputação em uma subcultura criminosa. Além dos vídeos, os perfis exibem fotos dos aparelhos levados, ainda com as fotos das vítimas na tela, e maços de dinheiro.
Apesar de dados oficiais do governo indicarem uma redução de 20% nos roubos de celulares no primeiro bimestre de 2026, a média na capital paulista permanece alarmante: um aparelho é subtraído a cada 10 minutos. O bairro de Pinheiros lidera o ranking de ocorrências, registrando 2.303 casos nos primeiros dois meses do ano — um salto de 47% em relação ao mesmo período de 2025. Outras regiões centrais e da Zona Oeste, como Perdizes, Sé, Consolação e Campos Elíseos, completam a lista dos locais mais visados pelas quadrilhas.
Em resposta à exibição dos crimes, a Meta, responsável pelo Instagram, afirmou que remove conteúdos que glorificam atividades criminosas e que colabora com as autoridades mediante solicitações legais. Já a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ressaltou a importância do registro de boletins de ocorrência para que as investigações possam avançar. Especialistas em segurança criticam a permanência desses perfis nas plataformas e defendem que a polícia deve utilizar essas provas digitais para identificar e prender os responsáveis, independentemente de denúncias formais, para interromper o ciclo de legitimação do crime no ambiente virtual.
