Tatiana Santos
O Centro de Valorização da Vida (CVV) está em busca de novos voluntários, com inscrições abertas aos interessados em colaborar na entidade, que é dedicada ao apoio emocional e prevenção do suicídio. Com uma média de atendimentos de 2,7 milhões anuais, a instituição tem somente 3,3 mil voluntários atualmente, motivo pelo qual se justifica a necessidade de novos cadastrados.
O posto do CVV em Itabira também está recrutando pessoas para integrarem o time de filantropos. Rafaela Maia é uma das voluntárias que presta informações sobre o processo e faz a chamada aos interessados. Alguns critérios são essenciais para a pessoa se candidatar: ser maior de 18 anos, ter disponibilidade de tempo e interesse em ter uma escuta ativa, sem preconceitos, críticas ou julgamentos.
Os interessados precisam acessar o site do CVV (cvv.org.br), clicar na aba Seja Voluntário e fazer a inscrição. O inscrito participará de um processo de seleção e capacitação para se tornar voluntário. Rafaela esclarece que o serviço é nacional, mas existe redirecionamento para o posto de interesse. “A pessoa preenche os seus dados. Essa ficha dela vai ser redirecionada para o posto que ela escolher. Ela pode escolher um posto, por exemplo, aqui de Itabira. Nós receberemos essa candidatura e vamos entrar em contato com a pessoa”, explica detalhadamente.
Escuta ativa que transforma
Apesar de ser uma atuação não remunerada, o maior retorno é o sentimento de estar sendo útil e salvando vidas. Esse sentimento é descrito por Rafaela como “extremamente gratificante”, que resulta em aprendizado e mostra que todas as pessoas são iguais, buscando ressignificar suas lutas. “Eu costumo dizer que nós aprendemos muito, acaba que é uma troca ali ao telefone. A gente está apenas separado por momentos diferentes da vida. Então, o voluntário nunca é melhor do que a outra pessoa. A gente trabalha muito a empatia”.
No atendimento, o foco é afastar ao máximo os próprios preconceitos e julgamentos, para ouvir a pessoa com total abertura, a deixando à vontade para desabafar. “Isso acaba nos transformando enquanto humanos e modifica até mesmo as nossas relações interpessoais. Porque a gente aprende a ouvir o outro e nos colocar no lugar dele. A gente tenta enxergar o outro com a sua visão de mundo, naquele contexto que ele está inserido. E isso acaba nos evoluindo enquanto ser humano”, relata Rafaela.
Quase seis décadas salvando
O CVV surgiu em 1962, São Paulo, com o objetivo de oferecer um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio a todos que precisam conversar, sob total sigilo e anonimato. O posto em Itabira foi fundado em 1º de setembro de 1999, há 26 anos, segundo Rafaela. Iniciou com atendimentos locais, ou seja, havia um telefone fixo, onde o posto recebia as chamadas locais.
No entanto, o Ministério da Saúde estabeleceu um termo de cooperação com a entidade e cedeu uma linha (188), que passou a funcionar em nível nacional, com chamadas 100% gratuitas. Com isso, os voluntários de Itabira passaram a atender também nacionalmente. Rafaela explica que quando uma pessoa pretende procurar o CVV Itabira, ela não será necessariamente atendida por um voluntário da cidade, mas será redirecionada para algum voluntário que seja disponível em todo o Brasil. Inclusive, o voluntário pode atender do posto ou da própria casa, já que o atendimento acontece também remotamente.