BRASÍLIA – A defesa de Silvinei Vasques pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), neste sábado (27/12), que ele cumpra a prisão preventiva em Santa Catarina ou na Papudinha — unidade especial no Complexo da Papuda, em Brasília, onde o ex-ministro Anderson Torres cumpre sentença também por golpe de Estado. O pedido foi protocolado no dia seguinte à prisão de Vasques, que tentava fugir pelo Paraguai rumo a El Salvador.
As autoridades paraguaias entregaram Vasques à Polícia Federal (PF) nessa sexta-feira (26/12), e a expectativa é que ele seja transferido para Brasília neste sábado depois de pernoitar em Foz do Iguaçu. Diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na gestão de Jair Bolsonaro (PL), Vasques começará a cumprir os 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
No pedido protocolado no STF, os advogados de Silvinei Vasques consideram adequado mantê-lo preso em Santa Catarina. “Preferencialmente nos municípios de São José ou Florianópolis”, solicitam. “O requerente possui vínculos familiares, sociais e profissionais consolidados naquela unidade da federação, circunstância que contribui para a estabilidade da custódia e para a preservação de sua integridade física e psíquica”, justificam.
Antecipando-se à negativa, a defesa ainda sugere que ele seja mantido preso na Papudinha. Os advogados dizem que Vasques sofreu “assédios” e “ameaças” na Papuda enquanto esteve preso preventivamente ali. “Caso vossa excelência entenda indispensável a custódia no Distrito Federal, requer-se, de forma subsidiária, que o recolhimento se dê na unidade conhecida como “Papudinha”, dotado de estrutura compatível com casos de elevada exposição institucional, reduzindo riscos objetivos à integridade do custodiado”, pedem.
Fuga para El Salvador
Segundo relatório da Polícia Federal remetido ao ministro Alexandre de Moraes, Silvinei Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu do prédio onde morava, em São José, cidade de Santa Catarina, no dia 24 de dezembro. A fuga aconteceu em um carro Polo alugado na Localiza; o carro de Silvinei, um Jeep Renegade branco, não foi encontrado pelos agentes no imóvel. O documento elaborado pela polícia detalha os últimos movimentos do ex-PRF registrados no prédio:
19h06 de 24 de dezembro: colocou bolsas no porta-malas;
19h14 de 24 de dezembro: colocou mais itens no banco de trás do carro alugado; a Polícia Federal identificou, nas imagens, que ele coloca, inclusive, ração e sacos de tapete higiênico para cães;
19h22 de 24 de dezembro: voltou para o carro carregando potes para ração e segurando um cachorro, que, segundo a PF, parece ser da raça pitbull. Depois disso, ele sai do prédio usando uma calça de moletom preta, uma camisa cinza e um boné preto.
Conforme o relatório, o Renegade de Silvinei foi identificado circulando na região metropolitana de Florianópolis. A Polícia Federal foi acionada apenas no dia seguinte, 25 de dezembro, às 23h. Antes, a Polícia Penal de Santa Catarina também esteve no local, às 20h09. “Onde permaneceu até 20h25. Foram até o apartamento do réu, número 706, bloco A, mas ninguém atendeu. Também foram até a vaga de garagem e a encontraram vazia”, detalha o docummento. As informações obtidas pela PF dão conta de que a tornozeleira usada para monitorar Silvinei perdeu o sinal GPS às 3h de 25 de dezembro, e às 13h ficou sem bateria.
A demora das polícias em identificar a fuga quase permitiu que ele conseguisse escapar para El Salvador. O uso de um passaporte paraguaio falso, detectado pela polícia do Paraguai, impediu que a fuga fosse concluída. Segundo o “UOL”, Silvinei tentou se passar por Julio Eduardo, um cidadão paraguaio, e ainda apresentou uma carta às autoridades dizendo que não conseguia se comunicar verbalmente ou ouvir porque padecia de um câncer no cérebro. Usando esse diagnóstico falso, ele afirmou que iria a El Salvador para tratamento médico.
Fonte: O Tempo