Por Marcello Ambrósio
Caso de Tiago Guzoni, de 30 anos, acende alerta sobre os perigos do consumo excessivo de proteínas associado a treinos intensos sem monitoramento médico.
SÃO PAULO – A busca pelo ganho de massa muscular de forma acelerada resultou em um quadro grave de saúde para o ex-atleta Tiago Guzoni. Após dois anos seguindo uma dieta rica em proteínas e shakes suplementares por conta própria, Tiago enfrentou a falência dos rins e a necessidade de um transplante renal. O caso, exibido pelo programa Fantástico, destaca os riscos de escolhas alimentares extremas.
O Início dos Sintomas
Tiago, que buscava evitar o uso de substâncias anabolizantes, acreditava que aumentar drasticamente o consumo de frango, carnes, peixes e shakes proteicos seria uma alternativa segura. No entanto, o excesso de “macros” (macronutrientes) começou a sobrecarregar seu organismo de forma silenciosa.
O primeiro sinal de alerta surgiu durante os treinos, na forma de fortes dores de cabeça persistentes, que o jovem confundiu com enxaqueca. O diagnóstico inicial de pressão alta foi tratado com medicamentos, mas a causa raiz — a deterioração da função renal — permaneceu oculta por mais um ano.
O Diagnóstico de Falência Renal
Após o agravamento dos sintomas, exames específicos revelaram que os rins de Tiago funcionavam com apenas 50% de sua capacidade. Segundo especialistas, o consumo excessivo de proteína acelerou um desgaste em órgãos que, possivelmente, já apresentavam alterações não detectadas anteriormente.
“Se a gente tivesse identificado essas alterações e iniciado um tratamento precoce, o Tiago era um paciente que poderia não ter evoluído com a doença renal de forma tão acelerada”, explicou a nefrologista Fernanda Badiani.
Recuperação e Transplante
Diante da falência dos órgãos, Tiago passou oito meses em hemodiálise até conseguir um transplante renal em 2024. O processo de recuperação foi longo, envolvendo repouso absoluto e uma reestruturação completa de sua rotina.
Atualmente, Tiago retornou às suas atividades, mas sob supervisão rigorosa de uma nutricionista especializada em doenças renais. A nova dieta é equilibrada e calculada especificamente para o seu peso e composição corporal, provando que é possível manter a saúde sem recorrer a excessos.
Alerta Médico
A comunidade médica reforça que a proteína é essencial para o corpo, mas seu consumo deve ser proporcional à necessidade individual. Dietas hiperproteicas sem a ingestão adequada de água e sem exames prévios de função renal (como ureia e creatinina) podem mascarar doenças crônicas e levar a quadros irreversíveis de insuficiência renal.
