Por Tatiana Santos
O desenvolvimento de jovens atletas em projetos sociais enfrenta desafios constantes para garantir a estrutura necessária em competições oficiais fora do estado. Sem o patrocínio direto para viagens e hospedagens, a participação em eventos nacionais depende do suporte de federações estudantis e de investimentos institucionais.
Entidades como a Federação de Esportes Estudantis de Minas Gerais (FEEMG) garantem passagens aéreas, agasalhos e alojamento para que os classificados disputem os Jogos Escolares Brasileiros. A importância desse suporte financeiro é direta, já que muitos atletas de projetos sociais não teriam condições de arcar com os custos de deslocamento.
Nesse cenário de necessidade de apoio, a Associação Crianças do Amanhã (ASCA), desenvolve um trabalho amplo de inclusão e rendimento esportivo em Itabira, atendendo atletas em diversas categorias, desde a base até o nível adulto. Um dos desafios da entidade passa pelos gargalos financeiros. Como pontua o Mestre Daú Primo, que treina os alunos inseridos no projeto, “a ASCA ainda não tem esse patamar de financiar uma viagem para eles. É um investimento”. A realização dessas viagens e o trabalho na base exigem um esforço diário e constante para manter os alunos motivados e com estrutura de treino. Segundo Daú, o segredo é o trabalho do dia a dia da entidade, muita dedicação de todos e o apoio da família.
Esporte contra isolamento e má postura
Mas, em paralelo às barreiras financeiras, os treinadores enfrentam a concorrência dos hábitos sedentários e do uso excessivo de telas entre os adolescentes. A prática esportiva surge como uma alternativa saudável para combater o isolamento e problemas de postura causados pelo tempo prolongado nos aparelhos, como os smartphones, tablets e computadores. “O celular é muito importante, mas temos que ter disciplina. O esporte educa e traz saúde”, reforça o Mestre.
A rotina de treinos exige responsabilidade não apenas nos tatames, que demandam uma preparação intensa conciliada com o suporte em casa. Como explica, “existe uma cobrança muito rígida com eles durante os treinamentos para que, no dia da competição, seja a coisa mais branda”, diz, lembrando que o processo depende de muita dedicação de todos e o apoio da família.
Além disso, o compromisso se estende diretamente ao rendimento escolar e à convivência familiar dos estudantes, onde a filosofia do tatame exige boas notas e respeito. “A disciplina que a gente passa para eles hoje é de seguir regras e respeitar a hierarquia. É o básico que um ser humano precisa para sobreviver”. Por fim, o professor defende que, com o acompanhamento adequado, os projetos sociais conseguem afastar os jovens do sedentarismo e abrir portas para que se tornem cidadãos e atletas de alto nível.