Tatiana Santos
Engenheiro de formação, Ricardo Antônio Câmara Fróis, se descobriu escritor e está caminhando passo a passo em sua nova vocação. Casado com a itabirana Leila e morador de Itabira há quase 20 anos, Ricardo tem dois livros de sua autoria: ‘Fragmentos de minha vida’ e ‘Enquanto ainda estou aqui: Crônicas do tempo presente’. O detalhe é que ambas as obras foram escritas recentemente, assim que ele completou 70 anos.
O primeiro, Fragmentos de minha vida, reúne cerca de 100 crônicas, grande parte delas autobiográficas, que falam de situações vividas pelo autor, começando na infância, com lembranças de escola, pessoas que passaram por sua vida e marcaram, e até mesmo a primeira moça que Ricardo se interessou aos 10 anos de idade. Mas também, há sua perspectiva de mundo. “Vou passando pelos principais episódios da minha vida a partir daí. A maioria deles fala de mim, mas tem alguns que não. Alguns são falando de coisas como eu penso, meu modo de ver determinadas coisas”, resume.
Sem seguir uma linha temporal contínua, os principais momentos da vida do autor estão na obra, inclusive, as lembranças de quando sua família morava próxima de sua avó em um sítio, e os irmãos, primos passavam bons momentos juntos. Sobre essa época, ele intitulou como ‘Casa de muitos’.
O engenheiro aposentado nunca havia se inclinado para a escrita, mas teve a inspiração a partir de um livro da escritora Martha Medeiros que a esposa Leila ganhou. Empolgada com o que lia, ela emprestou ao marido, que para descontrair, brincou com Leila que ele escrevia melhor que a escritora. Ricardo foi desafiado pela esposa, e assim, começou a redigir suas crônicas. “Eu não tinha a menor intenção de escrever nada antes. Se não fosse isso, talvez eu não tivesse escrito nada até hoje”, relembra.
O tempo presente, o aqui e o agora
Mas Ricardo não se contentou e escreveu uma segundo obra: ‘Enquanto ainda estou aqui: Crônicas do tempo presente’. Nessa, o autor coloca em palavras sobre a finitude do ser humano, como as pessoas fazem para conseguirem extrapolar o tempo e a importância do amor. “Eu penso muito, principalmente em função da minha idade, que a minha vida está mais perto do fim do que ela esteve no começo. Eu falo isso em outras palavras e costumo dizer que eu tenho mais passado do que futuro”, diz, sabiamente.
O livro exprime a visão do autor de que a leitura talvez seja uma forma de estender um pouco mais da vida, pois, para Ricardo, “a gente só morre mesmo no dia que a última pessoa que nos amou também morrer. Porque aí a nossa passagem por aqui não tem mais testemunha. Ela se extingue”. Quando se deixa escritos, é possível que algum leitor extrapole um pouco mais, além de tornar conhecido o trabalho do autor.
A obra passa por fatos de sua trajetória, como o sonho de ter uma filha, o que se concretizou em 2019 após 11 fertilizações in vitro e o diagnóstico de autismo da criança, hoje com seis anos. Outro ponto foram suas inquietações contemporâneas, questionamentos sobre seus valores, sua espiritualidade. A obra reúne, em 224 páginas, crônicas que narram, questionam, observam, a partir do presente, a importância da presença e do viver o agora. Ambos os livros podem ser encontrados para aquisição na Amazon.