Mensagem foi enviada em agosto de 2018 e citava acusações de fraude contábil na eleição presidencial de 2016. Arquivos foram divulgados na quarta-feira (12).
O bilionário Jeffrey Epstein escreveu que sabia “o quão sujo” o presidente Donald Trump é em um e-mail enviado em 2018. O arquivo foi revelado nesta quarta-feira (12) e integra documentos da investigação sobre o abusador sexual.
O e-mail em que Epstein chama Trump de “sujo” foi enviado em 23 de agosto de 2018 e faz parte de uma troca de mensagens com a advogada Kathryn Ruemmler, ex-conselheira da Casa Branca durante o governo de Barack Obama.
Na época, Trump já era presidente e era acusado de fraude contábil na campanha de 2016. Segundo as investigações, ele ocultou pagamentos à atriz pornô Stormy Daniels para comprar o silêncio dela sobre um caso que os dois tiveram em 2006.
Na troca de e-mails, Ruemmler enviou a Epstein um artigo de opinião do jornal The New York Times, no qual o colunista Bret Stephens afirmava que Trump havia cometido “crimes e delitos graves” que justificariam a abertura de um impeachment.
O artigo trazia detalhes da confissão de Michael Cohen, ex-advogado e assessor de Trump, que se declarou culpado e atuou como principal testemunha no caso.
“Acho que ele defende a ideia de que era dinheiro dele, do Trump, o que tornaria a coisa não ilegal. Embora ele também tenha dito que só soube depois, certo? E o fato é que, segundo a acusação, isso foi registrado como ‘serviços prestados’ e com valor aumentado. Tenho certeza de que o contador dele já deve ter colaborado com a investigação, de qualquer forma. Conversei ontem em detalhes com Starr sobre as acusações, sobre como o Trump pode fazer um acordo (com o procurador especial). O lixo dos Clinton, sim, Starr me contou mais. YECHHHH!”
- Ruemmler respondeu:
“Não faz diferença se o dinheiro era dele. A questão é a falta de transparência. Além disso, o fato de ele ter mentido descaradamente sobre isso deixa claro que sabia que era ilegal.”
- Epstein rebate:
“Veja, eu sei o quão sujo o Donald é. Acho que pessoas de negócios de Nova York que não são advogadas não têm ideia do que significa quando o ‘consertador’ dele [Cohen] resolve falar.”
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Troca de e-mails entre Epstein e Kathy Ruemmler — Foto: Reprodução
Trump se esquiva
Em uma rede social, Trump afirmou que a polêmica envolvendo os e-mails de Jeffrey Epstein é uma “armadilha” criada pelos democratas. Segundo ele, o objetivo da oposição é desviar a atenção da paralisação do governo federal.
“Os democratas estão tentando ressuscitar a farsa de Jeffrey Epstein porque fariam qualquer coisa para desviar o foco de como se saíram mal na paralisação e em tantos outros assuntos”, escreveu.
“Apenas um republicano muito ruim ou estúpido cairia nessa armadilha”, disse. “Não deve haver distrações com Epstein ou qualquer outra coisa.”
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente “não fez nada de errado” e acusou os democratas de divulgarem os e-mails “para difamar Trump”.
Ela também questionou o fato de os documentos terem sido publicados no mesmo dia em que a Câmara votaria o fim da paralisação e disse que a oposição estava usando o caso para atacar o governo e criar uma narrativa falsa.
Outros e-mails
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A foto, de julho de 2008, mostra Epstein sob custódia em West Palm Beach, na Flórida. — Foto: Uma Sanghvi/Palm Beach Post via AP
De acordo com democratas da Câmara dos Deputados, as mensagens levantam novas dúvidas sobre a relação entre Trump e Epstein.
Em um dos e-mails revelados pelos congressistas, de janeiro 2019, o bilionário escreveu que Trump “sabia sobre as garotas”. No mesmo texto, há o nome de uma vítima censurado e “Mar-a-Lago”, que é um resort do presidente na Flórida.
Em outra mensagem, enviada em abril de 2018, Epstein escreveu sobre Trump a Ghislaine Maxwell — sua assistente e confidente, posteriormente condenada por facilitar os crimes.
“Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump”, afirmou. Em seguida, acrescentou que uma das vítimas “passou horas na minha casa com ele… e ele nunca foi mencionado uma única vez”.
Em outro e-mail divulgado nesta quarta, Epstein refletia sobre como deveria responder a perguntas da imprensa sobre sua relação com Trump, que à época começava a ganhar destaque como figura política nacional.
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E-mail em que Jeffrey Epstein fala sobre suposto conhecimento de Trump sobre a conduta do empresário — Foto: Divulgação/ Partido Democrata
Pressão
O caso reacendeu pressões sobre o governo Trump para liberar todos os documentos relacionados a Epstein. Durante a campanha, o presidente chegou a prometer a divulgação de uma suposta “lista” de clientes do esquema de exploração sexual infantil.
A pressão aumentou depois que o Departamento de Justiça publicou, em fevereiro, parte dos documentos do caso, sem novas revelações.
Desde então, o presidente passou a negar a existência dessa lista, a minimizar o caso e até a chamar de “idiota” quem ainda se importava com o assunto — apesar de ele próprio ter alimentado teorias da conspiração sobre o tema durante anos.
Segundo a imprensa americana, Trump foi avisado em maio pelo Departamento de Justiça que seu nome aparecia nos documentos de Epstein.
O presidente norte-americano nega enfaticamente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre a rede de tráfico sexual de Epstein. Ele afirma que os dois foram amigos no passado, mas romperam a relação há muitos anos.
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Donald Trump processa jornal por divulgar suposta carta a Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução/TV Globo
Fonte: G1