Por Marcello Ambrósio
O conflito que envolve o Irã, Israel e os Estados Unidos completou seu 13º dia nesta quinta-feira (12) com um balanço humanitário estarrecedor. Segundo dados oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 3,2 milhões de iranianos foram forçados a abandonar suas casas desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro. O movimento, que começou como uma precaução, transformou-se em um êxodo em massa das grandes metrópoles.
O cenário nas estradas iranianas é de desespero e incerteza. Milhares de famílias estão fugindo de Teerã e de outros centros urbanos visados por bombardeios, buscando refúgio nas zonas rurais e nas montanhas ao norte do país. Esse deslocamento interno sobrecarrega as infraestruturas locais e cria um vazio nas cidades, onde apenas o som das sirenes e das explosões interrompe o silêncio das ruas desertas. De acordo com a ONU, o número de desabrigados deve continuar subindo exponencialmente enquanto não houver um cessar-fogo no horizonte.
A crise atinge com força dobrada os mais vulneráveis: as comunidades de refugiados que já viviam no Irã, em sua maioria afegãos, encontram-se agora sem redes de apoio e expostas aos perigos de um novo conflito. Imagens de prédios destruídos em Teerã e relatos de civis que perderam tudo reforçam que, para além da estratégia militar, a face mais visível desta guerra é a de milhões de pessoas que, de um dia para o outro, tornaram-se estrangeiras em sua própria terra.
Enquanto o governo iraniano ensaia as primeiras condições para um possível fim das hostilidades e os ataques a instalações de petróleo no Golfo mantêm o mundo em alerta econômico, a prioridade das agências internacionais é evitar uma catástrofe humanitária sem precedentes na região. O Irã, que outrora acolhia refugiados, hoje vê seu próprio povo lutar para encontrar um lugar seguro para dormir.
