Por Marcello Ambrósio
O assassinato de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, ocorrido dentro de uma joalheria em um shopping de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, revela um histórico de violência e monitoramento persistente por parte do agressor. Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, ex-namorado da vítima, foi preso preventivamente após o crime, cometido na última quarta-feira. De acordo com as investigações da Polícia Civil, o ataque foi o desfecho de quase um ano de perseguição, iniciada logo após o término do relacionamento de cinco anos em abril de 2025. Cássio não aceitava o fim do namoro e teria se motivado por ciúmes ao descobrir que a jovem estava em um novo relacionamento.
Antes do crime, o agressor utilizou diversas plataformas para intimidar Cibelle, chegando a enviar fotos íntimas da ex-namorada para o grupo de trabalho da empresa onde ela era funcionária. O material analisado pela polícia inclui mensagens enviadas até mesmo por transações de PIX, nas quais Cássio proferia ameaças de morte e ofensas. Cibelle possuía uma medida protetiva concedida pela Justiça, mas os registros indicam que o documento não impediu o assediador de continuar as abordagens. Em áudios enviados a amigas meses antes de morrer, a jovem relatava sentir medo constante e descrevia episódios em que o ex-namorado cercava sua residência, comparando a situação a um filme de terror.
No dia do feminicídio, o agressor entrou no centro comercial portando uma faca e um simulacro de arma de fogo escondidos em uma mochila. Ao localizar a vítima na loja, ele a perseguiu e desferiu diversos golpes. Durante a ação policial para contê-lo, Cássio apontou a réplica de arma para os agentes, que reagiram e o atingiram na perna. Após ser baleado, ele enviou áudios a familiares confessando o ato e afirmando que pretendia provocar a própria morte através do confronto com a polícia. O homem foi internado sob custódia e apresenta estado de saúde estável.
O caso segue sob investigação pelo 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, que trata o crime como feminicídio premeditado. Tanto o Shopping Golden Square quanto a rede de joalherias Vivara emitiram notas lamentando o ocorrido e informando que estão prestando assistência aos familiares da vítima. O episódio reforça o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a escalada da violência doméstica, que, neste caso, apresentou sinais claros de perigo ao longo de meses antes da consumação do crime.
