Por Tatiana Santos
Para esquentar o corpo e movimentar a noite fria deste mês de julho em Itabira, o Coletivo Forró Livre realiza o seu 2º Arraiá, nesta sexta-feira (03/07), a partir das 21h. O evento acontece no Barril Beer, localizado na Avenida Mauro Ribeiro, e promete reunir inúmeros forrozeiros com uma programação musical especial. Presenças confirmadas do DJ Vinícius e a grande atração da noite, o Trio Classe A, de Belo Horizonte.
Os ingressos para a festa têm o valor promocional de R$ 25,00 até as 17h, passando a custar R$ 40,00 na portaria do evento. Conforme Geraldo Alves, um dos idealizadores do coletivo, o foco da noite será o forró arrasta-pé. O traje é totalmente livre e os participantes podem ir tanto a caráter (roupa caipira) quanto com trajes casuais e confortáveis para aguentar o ritmo da dança.
Fundado em agosto de 2023 por Geraldo e mais três amigos (Giane, Diego e Érico), o Coletivo Forró Livre foi criado para preencher um espaço cultural na cidade. O grupo hoje conta com quase 300 integrantes e foca nas vertentes do forró pé-de-serra, como o universitário e o roots.
Ele explica que o projeto surgiu de um desejo de praticar a dança fora do ambiente acadêmico: “O Coletivo Forró Livre foi criado através da necessidade. Nós fazíamos aulas só na escola. Então nós tínhamos a necessidade de praticar o que aprendíamos. Eu e mais três saímos da escola, fomos para a praça”. Geraldo conta ainda que por meio da dança já estiveram em vários locais, tanto em Itabira, quanto em outras cidades, o que multiplicou o movimento.
Sem preconceitos
Como o número de homens (condutores)) normalmente é menor que o de mulheres (conduzidas), o coletivo incentiva que mulheres aprendam a conduzir e homens aprendam a ser conduzidos, quebrando barreiras do preconceito. Para Geraldo, o ambiente do forró é um espaço de total igualdade: “Lá não tem classe social, não tem cor, não tem nada. É um estilo que aceita todo mundo e abraça todo mundo. O coletivo nasceu justamente para isso, para abrir portas”, afirma.
Apesar da aceitação, o coletivo enfrenta alguns desafios. O grupo costumava fazer encontros gratuitos de duas horas na Praça Acrísio Alvarenga (pracinha redonda), no centro de Itabira, levando apenas uma caixa de som para a rua. Porém, no inverno costuma afastar um pouco o público, tornando a frequência dos itabiranos o maior obstáculo do projeto.
Espantando a negatividade
Mesmo assim, quem persiste encontra na dança uma ferramenta importante de bem-estar físico e mental. Fabiano Palauro, participante ativo do coletivo, destaca o impacto emocional e terapêutico que o forró pé-de-serra tem entre os frequentadores: “Para mim, o interessante do forró é o movimento que salva vidas. Quando a gente chega num ambiente que tem o forró e começa a dançar, a gente é tomado de uma alegria tão forte. Quantas pessoas que eu conheço que chegaram no forró num momento de tristeza na vida delas e de repente chega lá e esquece. Começa a dançar num ambiente muito agradável”, destaca.
Fabiano também ressalta que o respeito é a base de tudo no ambiente do coletivo e joga por terra a ideia de que é preciso ter um par fixo para participar: “A pessoa não tem um par, ela chega lá, vai ter pessoas para dançar. É só convidar com muito respeito, com carinho, que as portas estão abertas para novas amizades”.
Como participar
Para fazer parte do movimento, não é necessário pagar taxas ou se associar. Qualquer pessoa interessada pode acompanhar a agenda de eventos e interagir com o grupo através do Instagram oficial @coletivoforrolivre. Por lá, também é possível solicitar a entrada no grupo de WhatsApp onde os encontros são combinados. E para quem deseja aprender os primeiros passos, as aulas práticas ocorrem às terças e quintas-feiras, às 20h30, na escola Forró da Pedra, localizada na Rua Marajó, 89, na Vila Santa Rosa.