Marcello Ambrósio
O confronto entre Estados Unidos e Irã entra em seu sexto dia nesta quinta-feira (5) com uma escalada sem precedentes. Após o bombardeio que matou o líder supremo Ali Khamenei no último sábado, o Pentágono intensificou as operações, reivindicando um raro ataque de submarino que afundou o navio de guerra iraniano IRIS Dena na costa do Sri Lanka. A ação deixou 87 mortos e simboliza a estratégia norte-americana de aniquilar a capacidade naval de Teerã. Segundo o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, as forças iranianas estão “acabadas”, enquanto o Irã rebate com promessas de “derramar o sangue” de Donald Trump e intensifica ataques contra navios que transportam carga para Israel.
No campo diplomático, a tensão se deslocou para a Europa. O governo de Donald Trump entrou em rota de colisão com a Espanha após o primeiro-ministro Pedro Sánchez proibir o uso de bases militares espanholas para ataques contra o Irã. Trump ameaçou cortar relações comerciais, enquanto a Comissão Europeia declarou apoio a Madri. Paralelamente, a Otan interceptou um projétil iraniano que sobrevoou a Turquia, ligando o alerta máximo para uma possível expansão da guerra para o território europeu. Enquanto isso, na Rússia, o presidente Vladimir Putin sinalizou que pode interromper o fornecimento de gás para a Europa devido à instabilidade nos preços da energia.
Internamente, o Irã vive um momento de sucessão sob fogo cruzado. A Assembleia dos Peritos corre para escolher um novo líder supremo entre quatro candidatos principais. Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá, é apontado como o favorito da linha-dura, mas enfrenta resistência devido à sucessão hereditária. Outros nomes, como o moderado Hassan Khomeini, surgem como uma tentativa de abrir canais de diálogo com o Ocidente. Enquanto a decisão não sai, a população sofre com os bombardeios; em Teerã, o número de mortos já ultrapassa mil pessoas e os super-ricos de Dubai pagam fortunas para fugir da região.
