Por Marcello Ambrósio
A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu um casal suspeito de envolvimento na morte de um bebê de um ano e oito meses, que chegou sem vida à UPA Oeste, em Belo Horizonte, na última terça-feira. Segundo os relatórios médicos, a criança já estava morta há cerca de uma hora quando deu entrada na unidade, apresentando um quadro desolador de desnutrição e múltiplas lesões, incluindo hematomas pelo corpo e sangramentos. Embora o padrasto tenha alegado inicialmente que o menino havia se engasgado enquanto estava sozinho em casa, os exames preliminares do Instituto Médico Legal (IML) contestaram a versão, apontando que os ferimentos eram incompatíveis com qualquer tipo de acidente e indicavam uma rotina de violência física.
As investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) detalharam que a vítima sofria agressões de curto, médio e longo prazo, culminando em uma hemorragia interna fatal. No momento do crime, a mãe da criança estava em uma maternidade para dar à luz a um terceiro filho, deixando o bebê e um irmão de quatro anos sob os cuidados do padrasto. Testemunhas e evidências colhidas pela polícia sugerem que ambos os filhos eram constantemente maltratados pelo casal. O delegado responsável pelo caso afirmou que, embora a mãe tenha tentado culpar exclusivamente o companheiro, ela tinha pleno conhecimento das agressões e chegou a apresentar versões falsas à polícia.
O padrasto foi autuado por homicídio qualificado, enquanto a mãe responderá por maus-tratos com resultado morte. O irmão mais velho da vítima foi encaminhado ao Conselho Tutelar devido às condições precárias em que foi encontrado. Quanto ao recém-nascido, a mãe aguarda uma decisão da Justiça para definir se poderá permanecer com o bebê em uma unidade prisional específica para gestantes e puérperas em Vespasiano. O caso segue sob custódia do sistema prisional, aguardando os laudos periciais definitivos que integrarão o inquérito policial.
