Por Marcello Ambrósio
Reportagem do programa ’60 Minutes’ aponta que o governo americano adquiriu tecnologia de micro-ondas de origem russa e realizou testes em animais; sintomas coincidem com relatos de diplomatas e militares feridos.
Uma investigação profunda do programa americano 60 Minutes, da CBS, trouxe novos e inquietantes capítulos para o mistério da “Síndrome de Havana”. Segundo a reportagem, militares dos Estados Unidos testaram, por mais de um ano, uma arma de energia secreta capaz de causar lesões cerebrais permanentes. O equipamento, que utiliza pulsos de micro-ondas para interferir na atividade elétrica do cérebro, teria produzido em ratos e ovelhas danos idênticos aos observados em humanos afetados pela condição.
A Síndrome de Havana é um termo utilizado para descrever problemas neurológicos — como dores de cabeça lancinantes, perda de equilíbrio e zumbidos — relatados por diplomatas e agentes de inteligência dos EUA desde 2016. A investigação revela que a tecnologia para esses ataques, originalmente desenvolvida na era soviética, teria sido adquirida pelo Departamento de Defesa americano em 2024, por US$ 15 milhões, através de uma rede criminosa russa.
Elo Russo e Casos Ocultos
A apuração, realizada em parceria com o site The Insider, identificou a presença de um agente de inteligência russo próximo ao local de um dos ataques na Europa, onde a esposa de um funcionário do Departamento de Justiça sofreu ferimentos graves no crânio e nos ouvidos. Apesar das evidências, o governo dos EUA classificou, em 2023, como “muito improvável” a ação de um país adversário. Ex-agentes ouvidos pela reportagem sugerem que as autoridades minimizaram os fatos durante anos para evitar crises diplomáticas e pânico político.
O Uso de Armas “Misteriosas” na Venezuela
O debate sobre essas armas ganhou força após a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, em janeiro. Na ocasião, soldados venezuelanos relataram terem sido incapacitados por uma força invisível que causou sangramentos nasais e vômitos imediatos. Embora o dispositivo usado na Venezuela tenha sido associado a ondas sonoras, e não micro-ondas, os efeitos paralisantes guardam semelhanças com a tecnologia investigada.
O presidente Donald Trump, ao ser questionado sobre o episódio, alimentou as especulações ao afirmar que os Estados Unidos possuem “armas incríveis que ninguém conhece”. Segundo ele, o país detém uma tecnologia secreta e avançada que não deve ser discutida publicamente, mas que foi decisiva em operações recentes.
Sequelas e Próximos Passos
Enquanto o governo mantém o sigilo oficial sobre o potencial dessas armas, centenas de vítimas seguem em tratamento para sequelas cognitivas e físicas. A revelação de que o próprio Pentágono testou e validou a eficácia desses dispositivos coloca pressão sobre o Congresso americano para que novas auditorias sejam realizadas sobre o uso e a origem dessa tecnologia de energia dirigida.
