Por Marcello Ambrósio
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira que o Estreito de Ormuz está sob o “controle total” de sua Marinha, intensificando o impasse na principal rota de transporte de petróleo do mundo. A declaração surge como uma resposta direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que utilizou suas redes sociais para garantir que a Marinha norte-americana está pronta para escoltar petroleiros e assegurar o “livre fluxo de energia” global. Embora o governo iraniano tenha ameaçado fechar a passagem e atacar embarcações, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que a via ainda não está oficialmente bloqueada e relataram ter afundado 17 embarcações iranianas em operações recentes na região.
O Estreito de Ormuz é vital para a economia mundial, sendo o canal de escoamento de aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no planeta. A escalada de ameaças e o temor de uma interrupção prolongada no tráfego marítimo fizeram os preços da commodity dispararem nos mercados internacionais. O barril do Brent registrou altas superiores a 8%, ultrapassando a marca dos 85 dólares, refletindo a insegurança de investidores quanto ao abastecimento global e o risco de ataques a instalações de energia. Para mitigar o impacto econômico, Trump anunciou que oferecerá seguros contra riscos políticos e garantias financeiras para as companhias de navegação que operam no Golfo.
Analistas militares observam que o confronto direto no estreito representa um perigo sem precedentes, pois conecta grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos ao mercado global. O Exército dos EUA reforçou que não permitirá que a navegação comercial seja paralisada, alegando que “não há mais embarcações iranianas em operação” nas águas em disputa após as últimas ofensivas. Por outro lado, Teerã mantém a retórica de resistência, afirmando que qualquer tentativa de escolta estrangeira será vista como uma violação de sua soberania marítima e poderá resultar em represálias severas.
A situação permanece em estado de alerta máximo, com governos ao redor do mundo monitorando os reflexos da crise na inflação e nos custos de transporte. O impasse no Oriente Médio já é considerado um dos maiores desafios diplomáticos e militares da década, colocando as duas potências em uma rota de colisão que afeta diretamente o mercado de energia. Até o momento, a diplomacia internacional tem tido pouco espaço de manobra, enquanto as frotas navais de ambos os lados se posicionam estrategicamente em uma das faixas de mar mais vigiadas da Terra.
