Marcello Ambrósio
Uma jovem de 18 anos denunciou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Buzzi, por assédio sexual ocorrido durante uma viagem em família, em janeiro, em Balneário Camboriú (SC).
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil de São Paulo, a jovem estava viajando com os pais e com a família do ministro. No dia 9 de janeiro, o grupo foi até a Praia do Estaleiro. Em determinado momento, o ministro e a jovem foram sozinhos até o mar, enquanto os demais ainda se organizavam.
De acordo com o relato, o ministro sugeriu que eles se afastassem cerca de 400 metros do local onde estavam, dizendo que o mar estaria mais tranquilo. A jovem afirmou ter estranhado a proposta, já que o mar estava calmo em toda a região.
Já dentro da água, o ministro comentou que estava com frio e apontou para duas pessoas abraçadas, dizendo que aquele seria o motivo. Em seguida, ele teria puxado a jovem pelo braço, pressionado o corpo dela contra o dele e tocado em suas nádegas, afirmando que ela era “muito bonita”.
Ainda segundo o depoimento, mesmo após tentar se afastar, a jovem foi puxada novamente. Ela afirmou que se sentiu constrangida e assustada com a situação.
Depois do ocorrido, o ministro teria dito que ela era “muito sincera” e que isso poderia prejudicá-la, sugerindo que fosse mais reservada.
Ao sair do mar, a jovem voltou ao local onde estava a família, disse que não queria mais ficar na praia e retornou ao condomínio. Lá, contou tudo aos pais, que decidiram voltar para São Paulo.
A jovem relatou que sempre viu o ministro como uma figura semelhante à de um avô, o que tornou a situação ainda mais dolorosa. Desde então, ela afirma ter dificuldades para dormir, pesadelos frequentes e está em acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Em nota, Marco Aurélio Buzzi negou as acusações. Sua defesa afirmou que há vazamento de informações sigilosas e pediu respeito ao devido processo legal, dizendo que irá apresentar provas no momento adequado.
Após o caso vir a público, o ministro apresentou atestado médico, foi internado em Brasília com dores no peito e solicitou afastamento temporário do cargo.
Na última quarta-feira, o plenário do STJ decidiu, por unanimidade, abrir uma sindicância para investigar o caso. A comissão responsável será formada pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira.
A defesa da jovem informou que espera rigor nas investigações e a responsabilização dos envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas.
