Por Marcello Ambrósio
A auxiliar administrativa Mariele Vitória Alves de Lima, de 22 anos, permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração, no Recife, após ser vítima de uma tentativa brutal de feminicídio. O crime ocorreu na última segunda-feira em Jaboatão dos Guararapes, quando um ex-colega de trabalho da jovem, identificado como José Leonardo Pereira da Silva, invadiu a empresa onde ambos trabalhavam e a atacou. Segundo relatos de familiares e testemunhas, o agressor desferiu golpes de faca contra Mariele e, em seguida, despejou thinner — um solvente altamente inflamável — sobre o corpo da vítima, ateando fogo logo em seguida. O estado de saúde da jovem é considerado estável, mas requer cuidados intensivos devido à gravidade das queimaduras e das perfurações.
A motivação do crime, de acordo com parentes da vítima, seria a recusa de Mariele em manter um relacionamento amoroso com o agressor. José Leonardo, que havia sido demitido da empresa há cerca de 30 dias, demonstrava um interesse não correspondido e já apresentava comportamentos de perseguição, chegando a monitorar familiares da jovem em redes sociais. Mariele teria tentado encerrar o contato amigável com o suspeito após se sentir desconfortável com suas investidas. Após o ataque, a Polícia Militar localizou o homem em sua residência, onde ele foi encontrado com ferimentos na barriga e nos braços. Debaixo de sua cama, os agentes recuperaram o aparelho celular da vítima.
A família de Mariele expressa revolta e cobra punições mais severas para crimes de violência contra a mulher. O pai da jovem destacou que ela estava em seu local de trabalho buscando construir um futuro quando foi surpreendida pelo que classificou como uma ação “monstruosa e premeditada”. A tia da vítima também reforçou o sentimento de insegurança, questionando quantas mulheres ainda precisarão sofrer ataques semelhantes antes que haja uma resposta judicial mais contundente. Para os familiares, o crime foi meticulosamente planejado pelo suspeito, que aproveitou o conhecimento da rotina da empresa para executar a agressão.
O caso segue sob investigação das autoridades pernambucanas, que buscam agora formalizar a denúncia e ouvir possíveis testemunhas que presenciaram a invasão do local de trabalho. Enquanto Mariele luta pela recuperação na UTI, a defesa do suspeito ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. O episódio gerou uma onda de solidariedade e reacendeu o debate sobre as medidas de proteção à mulher em Pernambuco, onde diversos canais de denúncia, como o 180 e o 190, continuam sendo as principais vias para reportar casos de assédio e ameaças antes que evoluam para agressões físicas fatais.
