Por Marcello Ambrósio
A 6ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de três dos quatro jovens maiores de idade acusados de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos. O desembargador Luiz Noronha Dantas indeferiu os recursos que visavam suspender os mandados de prisão expedidos pela Justiça. Os investigados, identificados como Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin, permanecem foragidos. Um adolescente, ex-namorado da vítima e apontado como quem a atraiu para o local do crime, também é investigado por ato infracional análogo ao estupro.
O crime teria ocorrido em 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo o inquérito policial, a vítima foi convidada pelo ex-namorado para o imóvel e, durante o encontro, os outros quatro suspeitos entraram no quarto. O depoimento da adolescente detalha que ela foi forçada a manter relações sexuais com todos os presentes, sofrendo agressões físicas como socos e chutes ao tentar resistir. O exame de corpo de delito confirmou a violência, identificando lesões graves e hematomas compatíveis com o relato da vítima. Câmeras de segurança do edifício registraram a movimentação dos jovens e o momento em que o adolescente, após acompanhar a jovem até a saída, retorna ao apartamento realizando gestos interpretados pela polícia como celebração.
O caso ganhou contornos políticos devido ao fato de um dos foragidos, Vitor Hugo Simonin, ser filho de um subsecretário estadual do Rio de Janeiro. Em resposta ao episódio, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos manifestou indignação e informou que está prestando apoio jurídico e psicológico à vítima e sua família, reiterando o compromisso com o combate à violência contra a mulher. Paralelamente, instituições às quais os investigados eram vinculados, como colégios e clubes de futebol, também adotaram medidas de afastamento após a expedição das ordens de prisão.
As defesas dos acusados contestam as conclusões da investigação. Os advogados de João Gabriel Bertho, por exemplo, negam a ocorrência de estupro, sustentando que mensagens de texto indicariam o consentimento da jovem para a presença dos demais rapazes no quarto. A defesa alega ainda que o inquérito ignorou imagens que mostrariam uma despedida amigável entre a adolescente e o ex-namorado após o ocorrido. No entanto, o Ministério Público e a Polícia Civil sustentam a denúncia baseada no laudo pericial e no testemunho da vítima, mantendo as buscas pelos suspeitos e os pedidos de prisão preventiva para garantir o andamento do processo, que corre sob segredo de Justiça.
