Por Marcello Ambrósio
O que deveria ser o momento de luto e despedida final de Gabia Socorro da Silva, de 38 anos, transformou-se em mais um capítulo de violência em Confresa, no interior de Mato Grosso. Na última terça-feira (10), os dois filhos da vítima — um jovem de 22 anos e um adolescente de 16 — foram detidos pela Polícia Civil em pleno velório da mãe. O motivo: a tentativa de vingar o assassinato dela sequestrando e agredindo o principal suspeito do crime.
Gabia foi vítima de feminicídio no distrito de Santo Antônio do Fontoura, onde foi encontrada morta a facadas dentro da própria casa. O principal suspeito é o seu marido, que fugiu logo após o crime. Tomados pelo desespero e pela revolta, os filhos da vítima decidiram não esperar pela ação do Estado. Segundo as investigações, eles foram até a casa do pai do suspeito, retiraram o homem à força e o agrediram severamente com socos e pedradas antes de fugirem em uma motocicleta.
A prisão dos jovens durante o funeral chocou a comunidade local, evidenciando uma tragédia em dose dupla: a perda da mãe para a violência doméstica e a prisão dos filhos pela tentativa de exercer uma “justiça” paralela. Enquanto o jovem de 22 anos foi preso em flagrante, o adolescente foi apreendido. O suspeito do feminicídio, que sobreviveu ao ataque dos filhos da vítima, ainda é procurado pela polícia.
Este episódio palpável reforça as falhas profundas que a violência de gênero causa no tecido familiar, gerando traumas que muitas vezes levam a novas infrações. O caso de Gabia agora não é apenas um número nas estatísticas de feminicídio em Mato Grosso, mas um alerta sobre o colapso emocional de famílias que, diante da impunidade percebida, acabam por trocar o luto pelo banco dos réus.

(Foto: Reprodução)