Por Marcello Ambrósio
A Agência Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) confirmou que Kim Ju-ae, a filha do ditador Kim Jong-un, está sendo formalmente preparada para assumir o comando do país no futuro. Embora ainda seja adolescente (estima-se que tenha entre 10 e 13 anos), a maneira como ela é tratada publicamente indica que ela já é a segunda pessoa mais importante na hierarquia do regime.
Sinais de que ela é a “Escolhida”
O governo norte-coreano não faz nada por acaso. Alguns detalhes mostram que o caminho dela está sendo pavimentado:
- Mudança de Tratamento: A imprensa estatal parou de chamá-la de filha “amada” e passou a usar o termo “respeitada”. Esse adjetivo é quase sagrado no país e só foi usado para Kim Jong-un quando sua liderança foi consolidada.
- Exclusividade do Nome: Surgiram relatos de que o governo exigiu que outras cidadãs chamadas “Ju-ae” mudassem de nome, uma prática histórica reservada apenas aos membros da dinastia governante.
- Educação de Elite: Ela não frequenta escolas comuns. É educada em casa, em Pyongyang, e seus hobbies incluem equitação, esqui e natação — atividades que reforçam a imagem de “nobreza” do regime.
Presença em Eventos Estratégicos
Desde sua primeira aparição em 2022, Kim Ju-ae não sai do lado do pai em momentos cruciais:
- Testes de Mísseis: Ela assistiu ao lançamento do Hwasong-18, o míssil de longo alcance mais avançado do país.
- Diplomacia Internacional: Recentemente, acompanhou o pai em uma viagem à China, marcando sua estreia em palcos internacionais ao lado de líderes como Xi Jinping.
- Próximo Passo: Analistas estão de olho em um congresso do partido previsto para o fim de fevereiro. Se ela tiver um papel de destaque lá, será a confirmação final de sua influência política.
Por que apresentá-la agora?
Especialistas acreditam que Kim Jong-un quer garantir que o povo e a elite militar se acostumem com sua sucessora muito antes de uma transição real acontecer. Em uma sociedade extremamente patriarcal, apresentar uma mulher como líder exige tempo e muita propaganda para “quebrar o gelo”.
Além disso, ao aparecer como um “homem de família”, Kim tenta suavizar sua imagem internacional enquanto continua testando armas nucleares.
