Por Tatiana Santos
No Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de colo do útero, a ginecologista e obstetra itabirana, Juliana Pereira, detalha sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, que ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil.
Responsável por milhares de casos todos os anos, o câncer de colo do útero é uma doença silenciosa, de evolução lenta, mas que pode ser prevenida. Segundo a médica, os principais sintomas, quando aparecem, podem incluir dores pélvicas e sangramento vaginal fora do período menstrual. No entanto, ela alerta que muitas vezes o câncer demora anos para se desenvolver, o que reforça a importância do rastreamento regular.
Rastreamento salva vidas
O Ministério da Saúde recomenda o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, para mulheres entre 25 e 64 anos. Após dois exames consecutivos normais, o rastreio pode ser feito a cada três anos, mantendo as consultas ginecológicas anuais. A doutora destaca ainda a modernização dos exames, com a introdução do teste de DNA do HPV, que identifica a presença do vírus causador de quase 100% dos casos da doença. O HPV é transmitido sexualmente e pode permanecer inativo no organismo por muitos anos antes de causar alterações celulares. “O vírus pode ficar adormecido por uma década ou mais. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial”, alerta.
A vacina para HPV protege contra os quatro principais subtipos do vírus e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Já na rede privada, a versão nonavalente amplia essa proteção para nove subtipos e pode ser aplicada em homens e mulheres até os 45 anos. Hoje, essa vacina é a única vacina que previne diretamente um tipo de câncer.
Tratamento tem altas chances de cura
Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero tem mais de 95% de chance de cura. O tratamento varia conforme o estágio da doença, podendo envolver cirurgia ou radioterapia em casos mais avançados. Por apresentar crescimento predominantemente local e raramente causar metástases, a doença permite intervenções eficazes quando descoberta a tempo.
Saúde da mulher vai além
Os hábitos saudáveis são fatores importantes para se evitar a doença. Sedentarismo, tabagismo e excesso de peso impactam diretamente a saúde feminina, inclusive a fertilidade. Além do preventivo, exames como hemograma, glicemia, colesterol, mamografia (a partir dos 40 anos), colonoscopia (após os 45) e densitometria óssea na menopausa fazem parte do acompanhamento integral da mulher. “Informação verdadeira salva vidas. Vacinem seus filhos, mantenham as consultas em dia e não deixem o medo impedir o cuidado”, orienta a ginecologista.