Por Tatiana Santos
O combate ao câncer de mama enfrenta um inimigo tão perigoso quanto a própria biologia: o tabu e o medo do diagnóstico. Ainda existe uma visão muito negativa sobre a doença, o que leva muitas pessoas a evitarem os consultórios por receio do que podem descobrir.
A mastologista Larissa Aquino defende uma mudança de perspectiva, tratando o câncer como uma doença crônica que na maioria das vezes possui controle e cura. Ela ressalta que as inovações tecnológicas dos últimos anos, como a imunoterapia e os tratamentos alvo, permitem que a medicina individualize o cuidado, oferecendo cirurgias cada vez menos invasivas e preservando a integridade física da paciente.
A médica também esclarece que apesar de a genética ter seu papel, a maioria dos casos ocorre por fatores ambientais ou ocasionalidade, o que reforça a importância de monitorar sinais além dos nódulos, como retrações no mamilo e secreções anormais.

Homens também têm câncer de mama
Dra. Larissa lembra que os homens não estão imunes e devem procurar ajuda médica ao notarem qualquer alteração. Para ela, o Outubro Rosa deve servir de estímulo para um diálogo que dure o ano todo, com muita informação e desmistificando o tratamento oncológico.
Sobre a importância da conscientização constante, ela afirma que “o Outubro Rosa é o ano inteiro. A gente não pode esperar só a campanha, porque nós ainda temos um país muito desigual. Quanto mais a gente falar que câncer tem cura, isso vai mudar a perspectiva”. EA profissional lembra que “em medicina, a gente fala que é muito difícil a gente ter ‘sempre’ e ‘nunca’, porque as coisas variam de pessoa para pessoa. Apesar de ser uma doença única, ela tem vários subtipos e cada pessoa é uma pessoa só”.
A mastologista deixa claro sobre a necessidade de mudar a forma como se encara a enfermidade: “Ninguém sai do cardiologista ou do endócrino chorando porque está hipertenso ou diabético. Mas se o mastologista descobrir um nódulo, a pessoa acha que é uma sentença de morte. Não é. A maioria das mulheres vai tratar e ser curada”, afirma a médica, que atende no Pasa/Orizonti em Itabira.