Um documentário vai contar a história e os aspectos artísticos e culturais da Igreja Matriz de Santo Antônio, de Santa Bárbara (MG). É “Matriz de Arte & Fé – A História e o Esplendor da Matriz de Santo Antônio de Santa Bárbara”, obra audiovisual que será neste fim de semana. No dia 7 e 8, o filme será exibido com entrada gratuita no Cine Vitória, que funciona na Câmara Municipal. A partir de segunda-feira (9), a obra estará disponível no Youtube e no site do documentário.
Conforme o editor e diretor da obra, Bruno dos Anjos, a obra mostra a inserção do templo na história colonial. “A história de Santa Bárbara está diretamente associada ao período conhecido como Ciclo do Ouro. A partir da descoberta de lavras auríferas em 1704, na região da Serra do Caraça, formou-se o núcleo urbano que daria origem ao município. Nesse contexto histórico, a Igreja Matriz de Santo Antônio assumiu um papel central na organização social, religiosa e cultural local, constituindo-se como um dos principais marcos da formação da cidade. Daí sua enorme importância e a ideia de construir esse documentário”, afirma.
O diretor Bruno conta que existia uma necessidade de registrar e sistematizar, em linguagem audiovisual, informações que se encontravam dispersas em publicações acadêmicas, documentos e acervos especializados, muitos deles de acesso restrito. “Nossa proposta foi contribuir para a democratização do acesso ao conhecimento sobre esse patrimônio cultural de Santa Bárbara, reunindo pesquisa histórica, análise artística e registro audiovisual em um único suporte, acessível ao público em geral”, comenta.
Pesquisa e produção
A metodologia da obra combinou pesquisa documental e bibliográfica, entrevistas com especialistas e captação de imagens no interior da Igreja Matriz de Santo Antônio. Ao longo do projeto, três pesquisadores com atuação acadêmica nas áreas de história da arte, patrimônio e conservação contribuíram para que obra fosse viabilizada: Maria Regina Emery Quites – professora de Conservação e Restauração de Esculturas da Universidade Federal de Minas Gerais; Aziz José de Oliveira Pedrosa – professor de História Crítica da Arte, História da Arte no Brasil e História do Design da Universidade do Estado de Minas Gerais; e Adalgisa Arantes Campos – professora do Departamento e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais.
“Nosso documentário pretende valorizar o patrimônio cultural de Santa Bárbara, além de fortalecer a memória histórica local, a difusão de conhecimentos relacionados ao Barroco Mineiro e o estímulo a ações educativas e culturais. Queremos que ele circule gratuitamente como material de apoio em escolas, instituições culturais, ações de educação patrimonial e projetos de promoção do turismo cultural e religioso”, conta Bruno dos Anjos.
A trilha sonora foi concebida como elemento estruturante da ambientação histórica do filme, utilizando peças da música barroca mineira e brasileira, compostas entre os séculos XVIII e XIX, reforçando a relação entre imagem, som e contexto histórico. O repertório inclui obras de Manoel Dias de Oliveira, Francisco Gomes da Rocha, Padre José Maurício Nunes Garcia, José Joaquim da Paixão, Jerônimo de Souza Lobo e José Rodriguez Dominguez de Meirelez. Parte dessas composições foi utilizada a partir do álbum Creator Alme (2005), gravado pelo Coro e Orquestra Domine Maris, sob regência do maestro Modesto Flávio, com participação de solistas vocais. Incorpora, ainda, a obra Barroco Mineiro, de Chico Mário, presente no álbum Conversa de Cordas, Couros, Palhetas e Metais (1983), estabelecendo diálogo entre a música histórica e releituras contemporâneas do barroco.
Recursos
O filme foi realizado com recursos de acessibilidade, incluindo áudio descrição e tradução em Libras, ampliando o acesso ao conteúdo por públicos diversos. A obra tem edição e direção de Bruno dos Anjos, pesquisa e assistência de direção de Breno Pessoa dos Santos, imagens e direção de fotografia de Olavo Maneira Jr. e produção executiva de Albano Azevedo. A áudio descrição foi realizada por Rejane Ayres e a tradução em Libras por Nathália Vieira. O documentário é uma coprodução da Acervo Audiovisual e tem realização da Thema Audiovisual.
O documentário “Matriz de Arte & Fé – A História e o Esplendor da Matriz de Santo Antônio de Santa Bárbara (MG) ” é uma obra audiovisual de curta-metragem, com duração de 30 minutos, realizada no ano de 2024, viabilizado com recursos públicos oriundos da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), no âmbito dos editais promovidos pela Prefeitura Municipal de Santa Bárbara, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Desenvolvimento do Turismo (SMCDT.
“Nossa intenção é levar o projeto para outras cidades e, futuramente, fazer documentários sobre outras igrejas históricas da região como as de Catas Altas, Barão de Cocais e Brumal”, finaliza o diretor.
A exibição em Santa Bárbara, nos dias 7 e 8/02, no Cine Vitória às 20h, tem entrada gratuita, mas é preciso retirar os ingressos no site https://www.eventbrite.com/e/matriz-de-arte-e-fe-tickets-1981806242821
A igreja
A Igreja Matriz de Santo Antônio é um patrimônio histórico e artístico de relevância local e regional. Sua construção, ornamentação e acervo estão vinculados à produção artística do período colonial, especialmente ao desenvolvimento do Barroco Mineiro. O templo reúne elementos arquitetônicos, escultóricos e pictóricos representativos desse período, incluindo altares em talha dourada, imaginária sacra e pinturas atribuídas a Manuel da Costa Ataíde (Mestre Ataíde). Em 1821, durante visita pastoral à diocese de Mariana, Dom Frei José da Santíssima Trindade registrou a Matriz de Santo Antônio como o mais belo templo entre aqueles que visitou, destacando seus seis altares e a Capela do Senhor dos Passos, referência recorrente nos estudos históricos sobre a igreja.
Fonte: A Noticia Regional