Após rodar o interior, feira propõe soluções para modernização do mobiliário urbano e ocupação mais consciente do solo
A abertura da Minascon 2025 aconteceu na manhã deste sábado (25/10), no terceiro andar do BH Shopping, no bairro Belvedere, região Centro-Sul da capital mineira. A Feira da Construção Civil está de volta a Belo Horizonte, após seis anos visitando cidades importantes do estado. Poços de Caldas, Montes Claros, Governador Valadares, Uberlândia, Juiz de Fora e Divinópolis receberam as edições anteriores da feira.
“A gira no interior foi muito proveitosa, porque nossos irmãos mineiros às vezes ficam distantes das novidades tecnológicas, e a feira faz esse intercâmbio, além de proporcionar bons negócios aos expositores”, disse Geraldo Linhares, presidente da Câmara da Indústria da Construção da Fiemg.
Com 45 expositores e a já famosa Praça do Concreto, a Minascon pretende unir as instituições envolvidas no setor de construção civil para a solução de problemas ligados às legislações municipais no que tange à ocupação do solo.
“Temos total apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Belo Horizonte para debater, apresentar propostas e soluções para a ocupação do solo nas grandes cidades. O hipercentro de Belo Horizonte, por exemplo, tem que ser recuperado de forma sustentável, mas não pode continuar como está”, completou Linhares.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá, um dos organizadores da feira, disse que o setor está colhendo os frutos de três anos atrás, quando a taxa básica de juros estava baixa. “As construtoras estão entregando neste ano e em 2026 obras contratadas no passado. O nosso ciclo de cinco anos de contratos com juros baixos está acabando”, observou Lafetá.
Segundo o presidente do Sinduscon, mesmo com a medida que aumenta os valores de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, as perspectivas para um futuro próximo não são promissoras.
“As empresas não investem em máquinas, em inovação, em pessoal, porque os juros para empréstimos estão muito altos. Não adianta ter uma demanda reprimida por habitação se a indústria não consegue entregar. O risco é grande”, explicou Lafetá.
Inovação
A Praça do Concreto é onde algumas inovações do setor são apresentadas ao público, profissionais do setor e potenciais compradores. Guilherme Augusto, técnico em infraestrutura, visitou a feira para conhecer as novidades e fazer negócios. Entre uma visita e outra aos estandes, ele gostou do que viu. “Essa feira é muito boa, porque eu fico conhecendo novos produtos que podem me ajudar a economizar e até agilizar a minha obra”, relatou animado, querendo já encomendar uma brita com granulação mais uniforme que estava em um estande de uma mineradora.
Em outro estande, Bruno Rosati, representante de uma empresa que fabrica argamassa, estava apresentando aos visitantes um novo produto premium. Segundo Rosati, a novidade deste ano promete agilizar o trabalho dos pedreiros e, apesar de ser um produto mais caro, ele acredita que terá grande saída.
“Essa argamassa feita de quartzo é uma novidade. Ela é mais fina e, por isso, facilita a vida do pedreiro. Ele consegue esticar mais a massa, então ela rende mais; tem uma flexibilidade maior, o que facilita o manuseio”, explicou Rosati.
Arquitetura e Mobiliário Urbano
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG) lançou um desafio aos estudantes de arquitetura de várias faculdades do Estado. Eles têm que construir um modelo de parklet que seja sustentável, moderno e que possa ser utilizado nas ruas de Belo Horizonte. Os estudantes têm 24 horas para entregar o projeto. O vencedor leva o prêmio de R$ 5 mil e o segundo lugar, R$ 2.500.
Segundo Patrícia Elizabeth Ferreira Gomes, conselheira estadual e coordenadora-adjunta da CEF-CAU/MG, o projeto vencedor será entregue à Prefeitura de Belo Horizonte, com a possibilidade de ser utilizado como modelo pela administração municipal na construção de novos parklets pela cidade.
“É um desafio e tanto para os estudantes, para a formação do currículo e da carreira deles. São os desafios da modernidade — eles têm que ter resiliência e adaptabilidade para poder crescer”, afirmou Patrícia.
Concurso da Ponte
Em outro canto da Minascon, duplas de estudantes de engenharia civil, arquitetura e técnicos em edificações estavam participando do Construa a Ponte. Os estudantes têm que construir pontes feitas com palitos de picolé, utilizando os conhecimentos adquiridos nas aulas.
As duplas tiveram 12 horas para levantar a obra e concorrer ao prêmio de R$ 5 mil para os vencedores e de R$ 2.500 para o segundo lugar. Maria Clara de Figueiredo Araújo, 23 anos, e Raphaella de Paula Silva, 20 anos, estudantes do sexto período de arquitetura da PUC Coração Eucarístico, em Belo Horizonte, estavam atentas aos detalhes da construção.
“Nós já fizemos uma ponte parecida na faculdade que aguentou 250 kg. Esperamos repetir o feito”, disse Maria Clara, animada com a premiação. “Vou comprar um computador, porque o curso de Arquitetura precisa de um bom e potente”, completou Raphaella.
Fonte: O Tempo